Histórica e contemporânea, além de cosmopolita, Tiradentes comemora três séculos de existência não apenas com a conservação do glorioso passado — o conjunto arquitetônico da cidade, tombado desde 1938, é um valioso patrimônio memorial do Brasil e de Minas Gerais —, como também vislumbrando o futuro por meio do constante desenvolvimento da potencialidade turística que possui.

Reportagem Rita de Podestá
Fotos Cezar Felix

Toda cidade é contemporânea apenas por existir, mas é também história viva, num processo constante de transformação e renovação. Porém, há ainda aquelas que acumulam em si tantos tempos sobrepostos que acabam tornando-se, além de tudo, históricas. Cidades que atraem curiosos, por exporem no presente um passado que insiste em existir. É o caso de Tiradentes, em Minas Gerais, que, no dia 19 de janeiro de 2018, completou 300 anos de idade e que tem no conjunto arquitetônico, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 1938, um testemunho único da memória do Brasil e de Minas Gerais.

O conjunto arquitetônico de Tiradentes.

Rica pelo acervo histórico que mantém, Tiradentes é também valiosa pela vivacidade cultural, servindo de inspiração e palco para artistas de diferentes segmentos. O calendário municipal comporta dezenas de eventos fixos por ano — de festivais de fotografia, gastronomia e cinema até encontro de motoqueiros, cervejeiros, dentre outros. Eventos que valorizam a arte e as produções contemporâneas, enquanto têm como cenário as riquezas arquitetônica e religiosa do século XVIII.

Recortes temporais

Por lá, o cotidiano se renova e se preserva. Ao chegar a Tiradentes, o visitante pode ter logo um estranhamento ao ultrapassar a Ponte de Pedra (datada do final do século XVIII, com duas arcadas em estilo romano), como se fosse de encontro ao período colonial. Porém, bastam poucos passos pelo Centro Histórico para se perceber que a cidade ainda vive.

A Ponte de Pedra é do final do séc. XVIII.

Afinal, toda geração, antes de tornar-se memória, convive com aquela que a precede, assim como com as gerações que já não mais se modificam. Isso nos leva a olhar para cidades como Tiradentes com olhos atentos. Os tempos lá não são lineares. Ao se pensar nos últimos 300 anos do local, não cabe apenas uma compreensão cronológica, mas um sobreposto de recortes temporais. Basta sair da Igreja Matriz de Santo Antônio — concluída em 1732, com belíssimos altares de ouro — e encontrar, quase vizinho, o Museu da Liturgia, criado em 2013, de forma tecnológica e interativa; ou olhar para as ruas e ver a charrete que dá ultrapassagem para um carro de último modelo, com tração nas quatro rodas.

Arraial, vila e cidade

Falar da história de Tiradentes sem falar do ouro é impossível. Ainda que motivada pela cobiça e pelo poder, a extração do metal foi uma das atividades responsáveis pelos episódios de interiorização e colonização do território brasileiro. Foram os bandeirantes paulistas que descobriram, em 1701 —numa missão para capturar índios —, a abundância de ouro das encostas da Serra de São José.

Paisagem da Serra de São José.

As expedições originárias em direção ao interior, pouco a pouco, traçaram o caminho para as minas, criando roças e pousos, ao mesmo tempo em que se intensificava o garimpo. Com os índios, os bandeirantes aprenderam a tática de plantar pequenas roças em campos abertos enquanto embrenhavam-se pelas matas, para, ao voltarem, terem suprimentos à espera. Foi assim que surgiram tantos arraiais, como o de Santo Antônio do Rio das Mortes, que, antes de ser Tiradentes, foi ainda Arraial Velho — para não ser confundido com o Arraial Novo do Rio das Mortes, hoje a atual cidade de São João del-Rei.

Caminho obrigatório

Em 1718, o Arraial Velho tornou-se a sexta vila criada na Capitania de São Paulo e Minas, dessa vez, com o nome de São José, em homenagem ao príncipe dom José, filho de dom João V, então com 4 anos de idade. Os tempos eram promissores, a cidade já nascia rica — assim como Minas — e, em pouco tempo, tornou-se um dos mais importantes centros produtores da capitania.

O Rio das Mortes cruza a cidade.

Durante a exploração do ouro, que durou todo o século XVIII, a região do Rio das Mortes foi caminho obrigatório para quem fazia a travessia da Serra da Mantiqueira em direção ao litoral fluminense ou para os que se aventuravam em direção às minas de Ouro Preto. O trecho ficou conhecido como Caminho Velho (por caminho, entende-se um emaranhado de trilhas que se encontravam) e servia de escoamento da produção aurífera, além de ser percorrido por mineradores e mercadores. Foi o único até meados do século XVIII, quando surgiu o Caminho Novo, mais rápido e confortável.

Herança arquitetônica setecentista

O enriquecimento da vila impulsionou as edificações e foi responsável pela herança arquitetônica setecentista da atual Tiradentes. A construção da Matriz de Santo Antônio é o melhor exemplo. A igreja começou a ser edificada em 1710, para substituir a pequena capela dos bandeirantes. Um trabalho e tanto. A matriz é um dos mais belos templos barrocos da arquitetura religiosa colonial mineira. Se de fora já impressiona, com a fachada — modificada em 1810, a partir de uma encomenda a Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho —, o interior é de tirar o fôlego. A obra de talha dourada que recobre toda a igreja é uma das mais ricas do Brasil — na construção do monumento, estima-se que foi gasto um valor equivalente a até 400 kg de ouro —, sem falar do coro, ao gosto rococó, e do antigo órgão da igreja, uma relíquia trazida de Portugal, em 1788.

Herança arquitetônica setecentista de Tiradentes.

O ponto escolhido para o templo foi estratégico, mostrando poder e imponência. A igreja foi edificada no ponto então mais alto da cidade, sendo o mais baixo, o Chafariz São José, construído em 1749, para fornecer água vinda da Mãe D’água (fonte de água que ficava numa leve colina). A cidade tinha polarização. O poder concentrava-se nas partes altas, enquanto, próximo ao chafariz, ficavam os tropeiros e serviçais, que buscavam água ou lavavam roupas.

A obra de talha dourada da Matriz de Santo Antônio.

Sem ouro, sem progresso

Na segunda metade do século XVIII, a exploração começou a dar sinais de estagnação. A Vila São José viveu um intenso período de transformação. Passou de uma vida majoritariamente urbana para um cenário basicamente rural. Os nobres, que fizeram fortuna no garimpo, deixaram a região, levando os escravos para as plantações de café no Vale do Paraíba.

Com o esvaziamento e a falta de recursos, São José chegou a quase perder o título de vila, mas recuperou-se e, em 1860, tornou-se cidade. O nome Tiradentes viria apenas em 1889. Após a Proclamação da República, já não havia mais motivos para homenagear um nobre português, melhor mesmo era homenagear o mártir local, Joaquim José da Silva Xavier, importante agitador da Inconfidência Mineira (1789), o primeiro movimento no Brasil de tentativa de libertação colonial.

A Inconfidência não obteve os resultados que queria, e Tiradentes foi enforcado em 1792. Mas, ainda que muitos casarões da arquitetura barroca setecentista tivessem sido abandonados, a história já estava edificada. O conjunto arquitetônico apenas aguardava o dia em que seria reconhecido como patrimônio histórico brasileiro — por sinal, um dos primeiros no país a ganhar o título pelo Iphan.

Passear sem pressa

Hoje, além do conjunto urbano, a cidade tem dez bens tombados individualmente. São eles: Igreja Matriz de Santo Antônio, Capela da Santíssima Trindade, Capela de Nossa Senhora das Mercês, Capela do Bom Jesus, Capela de São Francisco de Paula, Capela de São João Evangelista, Chafariz de São José, Igreja de Nossa Senhora do Rosário, casa do atual Museu da Fundação Rodrigo Melo Franco de Andrade e uma casa residencial à Rua Padre Toledo.

A Matriz de Santo Antônio, começou a ser edificada em 1710.

Para conhecer todos, basta não ter pressa, eleger o calçado mais confortável ou optar pela experiência das charretes estacionadas na praça principal. Não se assuste ao ver charretes decoradas com super-heróis ou repletas de adesivo de princesas. Uma dica é subir até a Igreja Matriz e depois descer tranquilamente, que, a qualquer momento, uma construção chamará a sua atenção dentre as charmosas casas geminadas. Descendo a Rua da Câmara, está o grande Sobrado Ramalho — uma edificação de 450 m², com dois andares, construída na primeira metade do século XVIII. Dentre outras funções, o casarão abriga hoje a 13ª Coordenadoria Regional do Iphan e a sede da Orquestra e Banda Ramalho.

As charretes no Largo das Forras.

Acervo de memórias

Se o caminho for a Rua Padre Toledo, a primeira parada inevitável é no museu de mesmo nome. Localizado numa construção também do século XVIII, tombada pelo Iphan, em 1952. O casarão foi residência do padre Carlos Corrêa de Toledo e Mello — de 1777 a 1789 —, um dos maiores financiadores da Inconfidência, que teria recebido em casa a primeira reunião dos inconfidentes. Hoje, o que era berço de ideias ganhou acervo de memórias, com móveis, imagens e pinturas que impressionam, dentre elas, uma tela de São Mateus e um armário-estante pintados por Aleijadinho.

Museu do Casa Padre Toledo.

Já pelo Largo do Sol, chega-se à Prefeitura Municipal, um sobrado construído em 1720. Grandioso, é a única edificação do Centro Histórico que possui três pavimentos. Por falar em casarões, na Rua Direita, o Museu de Sant’Ana nem parece que um dia foi cadeia. Construída por volta de 1730, a casa foi restaurada em 1835, após um incêndio em 1829. Em 2014, depois de um amplo projeto de restauração sob responsabilidade do Instituto Cultural Flávio Gutierrez, o prédio da antiga cadeia se transformou no museu que abriga um acervo de 291 esculturas de Santa Ana, o único do gênero existente no Brasil. Já bem próximo dali, vale a visita ao Centro Cultural Yves Alves, que ocupa duas fachadas de casarios do século XIX e possui uma programação cultural intensa durante todo o ano.

Igrejas e capelas, atrativos à parte

As igrejas são grandes atrativos à parte, e mesmo a matriz tendo destaque, vale admirá-la de longe, do alto do Morro São Francisco, onde está a Capela São Francisco de Paula. Esta foi edificada por volta de 1750 e tem à frente um cruzeiro datado de 1718 —mesmo ano em que São José foi elevado à categoria de vila. A fachada é simples, e talvez por isso tão acolhedora, sendo o local certo para se parar e fazer um momento de descanso após a subida da ladeira. Mas o grande gramado à frente, às vezes, serve de local para atividades nada históricas: não se surpreenda se der de cara com jovens fazendo exercícios de crossfit ou com ciclistas descansando na grama.

Dentre tantas construções religiosas, cada qual tem a própria história, a própria arte e o próprio devoto.

Casos que poucos sabem

Na Rua Padre Toledo, a Capela de São João Evangelista, por exemplo, guarda casos que poucos sabem. Flávio Cabral, de 41 anos, nascido em Tiradentes e apaixonado pela cidade, lamenta que “as pessoas não querem saber sobre a própria raiz (…) o brasileiro é pobre de saber”. Caminhoneiro há 15 anos e membro da Irmandade São João Evangelista, Cabral usa o tempo livre das viagens para receber quem visita a capela. Conta que a cidade parece mudar cada vez que ele volta de uma viagem, mas que o patrimônio histórico preservado garante que Tiradentes possa sempre contar a história que tem. Apesar da humildade de dizer que pouco sabe, Cabral é capaz de explicar o templo nos mínimos detalhes. Uma das curiosidades é o altar de Nossa Senhora das Dores, encomendado por uma irmandade datada de 1801 e que era composta apenas por mulheres — um fato raro para a época.

Um relicário vivo de 300 anos

Se havia uma irmandade de mulheres, havia também a Igreja Nossa Senhora do Rosário, construída em pedra cantaria, pela Irmandade dos Homens Pretos, no início do povoamento do Arraial Velho, em 1708. A igreja possui belíssimas imagens de São Benedito, São Brás e São Elesbão e, no interior dela, foi sepultado Manoel Víctor de Jesus (1793-1828), o talentoso artista mulato que pintou a maioria das obras encontradas na Matriz de Santo Antônio, inclusive a caixa do órgão.

Também dedicada aos negros brasileiros, temos a Capela Nossa Senhora das Mercês. Segundo o Iphan, acredita-se que, em 1807, a capela já estava parcialmente construída, uma vez que, naquele ano, a Procissão dos Passos foi transferida para o local. As pinturas do teto, com cenas da Ladainha da Virgem, são atribuídas a Manoel Víctor de Jesus, e o altar-mor, digno de nota, possui uma belíssima imagem da padroeira.

Já fora do Centro Histórico, está a Igreja de Santo Antônio do Canjica, construída por volta de 1702. A curiosidade do nome vem da descoberta das pepitas de ouro, cujo formato lembrava os grãos de canjica ou de milho.
O passeio pode ser curto ou longo, fica ao gosto do visitante. Em Tiradentes, não só os museus, as igrejas e os casarios compõem os 300 anos de história. Cada rua, casa, porta, janela, cada jardim, escada ou pedra fazem parte de um relicário vivo de Minas e do Brasil.

O moderno encontra o histórico

Porém, para que todo o patrimônio fosse preservado, foi preciso que o novo ressignificasse o que tínhamos de história. Os modernistas que lideraram a Semana da Arte Moderna de 1922 tiveram um importante papel nesse movimento. Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Tarsila do Amaral e o poeta franco-suíço Blaise Cendrars organizaram a excursão que batizaram de “Redescoberta do Brasil”. O objetivo era visitar São Paulo, Rio de Janeiro, plantações de café e as cidades coloniais de Minas Gerais, em busca de um Brasil mais primitivo e popular.
Em Minas, encontram a matéria-prima ideal para uma reflexão profunda da arte moderna — as raízes históricas como ponto de partida para se modificar o novo. Oswald, que, antes da excursão, havia publicado o “Manifesto da Poesia Pau-Brasil”, publicou, no ano seguinte, o livro de mesmo nome. No poema “Casa de Tiradentes”, os versos do autor denunciam o então abandono de Tiradentes: “Sem sentido/ Vazia como a casa imensa/ Maravilhas coloniais no teto/ A igreja abandonada/ E o sol sobre os muros de laranja/ Na paz do capim”. Ainda assim, eles se impressionaram, não só com a beleza natural da Serra de São José, que parece abraçar a cidade, mas também com a produção arquitetônica e artística de uma cidade que guardava em si um tesouro colonial.

Tiradentes, finalmente, é descoberta

Do ouro para o abandono, para a redescoberta até a consolidação do turismo. A formação socioespacial de Tiradentes modificou-se consideravelmente após a década de 1980. O turismo inaugura e marca um período de modificações aceleradas. Segundo o geógrafo Helcio Ribeiro Campos, a partir das décadas de 1960 e 1970, a cidade começou a ser procurada por pessoas em busca da tranquilidade, dos atrativos naturais, do artesanato, da culinária e, também, por causa da história do mártir da Inconfidência. “Com o turismo, o Centro Histórico deixou de ser moradia para acolher estabelecimentos e pontos culturais: sendo hoje quase exclusivamente ocupado por pousadas, restaurantes, comércio e, em menor proporção, casas de fim de semana ou férias”, afirma.

A população precisou ocupar as regiões periféricas, surgiu uma nova cidade e uma nova relação com o centro. Alguns dos grandes aceleradores do turismo foram os festivais. A cidade atrai inúmeros visitantes, com interesses tanto turísticos quanto culturais. De acordo com o secretário municipal de Cultura, Moisés Oliveira Alves, a cidade é cada vez mais reconhecida como “um destino importante sob o aspecto da gastronomia e da realização de eventos”.

Festivais e eventos

A Mostra de Cinema foi o festival pioneiro na cidade e só no último ano atraiu um público estimado em 35 mil pessoas, de acordo com a realização do festival. Além dele e dos já tradicionais Carnaval e Semana Santa, existem festivais como o Foto em Pauta, Tiradentes Bike Fest, Tiradentes em Cena, Trem Bier Festival, sem falar no consagrado Festival de Internacional de Gastronomia que, desde a criação, já recebeu mais de 3 mil profissionais da gastronomia e meio milhão de pessoas.

Se antes o visitante encontrava apenas alguns restaurantes de comida mineira, hoje a opção é tão variada que extrapola até a cozinha local. É possível encontrar bares com cerveja artesanal, comida tailandesa, cortes argentinos e outros quitutes contemporâneos. A escolha é de quem vem, mas os tradicionais pratos mineiros continuam sendo a atração principal. A carioca Marcela Pacheco, 33 anos, que estava na cidade para um casamento, conta que teve dificuldade de escolher: “são muitas opções, mas, já que estou em Minas, tem que ser comida mineira”. A escolha foi o tradicional frango com quiabo e angu, para muitos mineiros, um patrimônio também histórico.

Antes, durante e depois

Um “pau de selfies” ajuda o casal a ter o melhor panorama, um músico toca bossa nova enquanto a charrete cor-de-rosa para ao lado com três crianças, uma delas implora ao pai por uma Coca-Cola. Os alto-falantes espalhados pela cidade anunciam o falecimento de uma moradora, os turistas escutam, mas não sabem a quem dedicar o pesar. Tiradentes empresta aos visitantes o cenário e acaba por possuir tantos tempos, assim como tantas cidades, a histórica, a do pertencimento e a temporária.

Em Tiradentes, a história está nas marcas urbanas e em cada pedra que um dia foi colocada, uma a uma, nas ruas e ladeiras. Está, também, no hoje, tecnológico e acelerado, no qual o turista deseja a melhor foto — para não dizer a melhor selfie —, tirada no mesmo lugar onde Joaquim da Silva Xavier talvez planejou a Inconfidência.

O argentino Daniel Doval, 57 anos, que trabalha há mais de 20 como fotógrafo de lambe-lambe, conta que veio para o Brasil depois de descobrir que “em Buenos Aires a maioria das pessoas que queriam tirar fotos era brasileira”. Ao perguntar sobre a razão de as pessoas buscarem uma foto lambe-lambe em tempos de selfies instantâneas, Doval responde que “no início era preto e branco, e é preciso voltar ao início, resgatar a origem, como os modernistas fizeram”.

Tiradentes nos permite voltar e seguir ao mesmo tempo. Em 300 anos, nos mostra que o passado pode não só inspirar o novo, como também fazer parte dele. Visitar a cidade é encontrar raízes e entender a história, enquanto o contemporâneo se dá nas brechas do cotidiano. É só observar a chegada da maria-fumaça — que liga São João del-Rei a Tiradentes desde 1881— e ver os celulares apontados para fora da janela, num registro em tempo real. Enquanto parte de Tiradentes parou no tempo, o tempo não parou de passar pela cidade.