As múltiplas formas do artesanato

Além das melhores lembranças, o que se pode levar das cidades visitadas são exemplares do típico artesanato de cada localidade.Só admirá-los já é muito agradável.

O artesanato mineiro revela traços do passado colonial barroco e hoje é reconhecido como um dos mais expressivos da América Latina, além de ser uma importante fonte de renda para as populações. Muitos trabalhos de artesãos mineiros — os tapetes arraiolos de Diamantina, a prataria de Tiradentes, a pedra sabão de Ouro Preto ou as cerâmicas do Jequitinhonha — ganham espaço em galerias de arte, museus e lojas de todo o mundo.

Em Ouro Preto, o artesanato em pedra-sabão é uma ótima opção de compra para levar como lembrança — as peças são encontradas em grande quantidade na feira do Largo de Coimbra, em frente à obra-prima do barroco, a Igreja de São Francisco de Assis.

No Caminho dos Diamantes, não deixe de conhecer os ricos trabalhos nas simpáticas lojas em Diamantina e região. É de emocionar quando se percebe como algumas peças levam consigo a história das cidades.

Para Maria Inês, de 54 anos, o Passadiço da Glória é o padrinho da cidade de Diamantina, assim como da sua loja de artesanato que atrai os turistas que passam por ali. Diamantinense apaixonada, Maria conquistou o sonho de criar uma loja/ateliê na qual expõe os trabalhos de vários artistas locais e outros de Belo Horizonte.

Maria Inês recebe cada cliente com atenção exclusiva e faz questão de contar a história de todos os produtos da loja — de repente, um simples objeto parece ganhar vida. Ela sempre se emociona ao vender algum trabalho dos seus artesãos: “A primeira vez que compraram algo de um senhor de Biribiri eu chorei; a cliente quase desistiu dizendo que eu estava muito apegada à peça, mas foi pura emoção”. Além disso, Inês conta que por ali passam muitos turistas atraídos pela Estrada Real, interessados em levar uma lembrança única da cidade — “um souvenir de memórias”.

Na região do Serro, próxima à Diamantina, o rico artesanato da cidade é produzido com materiais simples: argila, palha, retalhos de tecido e pedra — que se transformam em objetos de cerâmica, cestas, peneiras, tapetes e panelas. Já as cerâmicas do Vale do Jequitinhonha são tesouros mineiros. Numa região marcada pela tradição de luta e trabalho de sua população, são produzidos alguns dos artesanatos cerâmicos mais ricos do Brasil.

Quem se aventurar pelo Caminho Velho, vai conhecer os mais variados tipos de artesanato e arte popular. Algumas cidades guardam verdadeiros artistas: Maria da Fé, localizada bem no alto da Serra da Mantiqueira — a cidade mais fria de Minas, mas de acolhida sempre calorosa —, é um ótimo exemplo. Lá está a Cooperativa Mariense de Artesanato (Comarte) que ajudou o município a fomentar o artesanato feito com papel reciclado e fibra de bananeira. A iniciativa incentivou outras oficinas e os produtos locais conquistaram mercados interno e externo. Um trabalho que une beleza, sustentabilidade e simplicidade.

Tiradentes também é conhecida pela variedade de seu artesanato que, aliás, reverencia o glorioso passado da cidade histórica. À característica barroca, adicionam-se técnicas e elementos modernos na fabricação de móveis e no artesanato em ferro e pratarias. Bem próximo está Bichinho, distrito da vizinha Prados. Na entrada do vilarejo, já surgem as casas históricas que se transformaram em ateliês, lojas de arte e oficinas. O visitante se surpreende com obras da autêntica arte popular mescladas à inventividade de artistas plásticos contemporâneos.

Um pouco mais adiante, Coronel Xavier Chaves destaca-se na arte de dar forma às brutas pedras (sabão, mármore e granito), prática que está presente em várias famílias da cidade há várias gerações. São imagens sacras, animais e objetos de decoração de todos tamanhos e gostos. Na vizinha Resende da Costa, a principal fonte de renda local é o artesanato em tear. Colchas, tapetes, toalhas de mesa, jogos americanos, cortinas, bonecos. Uma cultura centenária que se revela em cores. O som das batidas rítmicas dos teares é uma característica marcante na cidade.

Ao longo dos caminhos, o turista se depara com “namoradeiras” debruçadas à janela a sonhar com um namorado. São as bonecas, muitas vezes feitas de gesso ou de madeira. Elas simbolizam as moças filhas de famílias muito conservadoras que não as deixavam sair de casa para conhecer os rapazes. Com o visual caprichado, o jeito era ir para a janela e esperar pelo grande amor de suas vidas. As armas de sedução eram os lábios, os decotes e os olhares.

Muito além das belas paisagens, as belezas da Estrada Real também estão na sua gente, que permanentemente demonstra sua  habilidade de criar, reinventar e preservar a sua arte.