Para que o patrimônio restaurado se mantenha em bom estado, é fundamental a conscientização da sociedade civil e do poder público.

“É muito importante que exista o sentimento de pertencimento na população, e isso passa pela educação. Aqui, nunca vemos um tiradentino depredando ou pichando um monumento. Isso acontece porque ele foi educado nesse sentido”, afirma Rogério Almeida, ex-vereador de Tiradentes, responsável pelo projeto de lei que transformou a Educação Patrimonial em disciplina obrigatória na rede municipal de ensino.

Educação Patrimonial: disciplina na escola

Desde 2006, os alunos do ensino fundamental recebem aulas sobre a preservação da história e da cultura locais. “Todo fim de ano tem mostra de educação patrimonial com o que as crianças fizeram ao longo do ano. O resgate promovido por esse tipo de atividade mantém viva a identidade de um povo”, conta.

30 horas de capacitação

Neste ano, a prefeitura está ampliando o programa, por meio da formação dos diretores, professores e coordenadores das oito escolas do município. De acordo com o superintendente de Cultura, Henrique Rohrmann, os profissionais receberão 30 horas de capacitação, tendo como base a coleção de livros desenvolvida no âmbito do projeto do BNDES. O objetivo é que o conhecimento seja replicado aos 800 alunos da cidade.

Mais um belo recanto de Tiradentes.

Para o pesquisador do Iphan Olinto Rodrigues, as políticas públicas para a preservação precisam abarcar outras áreas além da educação. “O grande problema hoje é a expansão urbana. Apesar de existir um plano diretor, a expansão continua desordenada, uma vez que a prefeitura não fiscaliza. Além disso, temos o problema do trânsito pesado no sítio histórico, que nunca se resolve. Existe uma portaria da prefeitura, da década de 1980, proibindo o tráfego pesado no perímetro do Centro Histórico, mas isso nunca foi cumprido. Os caminhões estão aí. Isso danifica os calçamentos e abala as construções mais frágeis”, explica.

Serra de São José: um patrimônio natural.

Rohrmann concorda que a lei não é respeitada e diz que, ainda neste ano, serão tomadas providências para que a situação mude. “Existe sinalização em vários pontos, indicando a proibição, mas ninguém respeita. A prefeitura vai colocar blocos de cimento nas entradas do Centro Histórico, impedindo a passagem de veículos grandes, a exemplo do que já existe na Ponte de Pedra. Será mantida uma única entrada, perto da matriz, para a realização de entregas — que passarão a ser feitas somente com caminhonetes pequenas, assim como a coleta de lixo”. O superintendente afirma, ainda, que a solicitação ao Departamento de Obras já foi feita e que as intervenções devem acontecer em breve.