Belo Horizonte foi  premiado com um vasto Circuito Cultural — logo ali, na Praça da Liberdade — projetado para oferecer à população espaços e atividades de cultura, arte e educação. Já em adiantado processo de implementação, o projeto transforma os antigos prédios públicos em espaços interativos abertos ao público.
 

Reportagem Rita de Podestá
Fotos Jomar Bragança

Defensores dessas terras gerais defendem com artes e gostos que Belo Horizonte é uma exímia produtora de cultura, seja nos costumes de sua população, nas manifestações populares, na produção das mais diversas formas de arte e também  nos vários movimentos oscilatórios de manifestações artísticas de todas as áreas — uma característica com assinatura tipicamente belo-horizontina.

Já na década de 1920, poetas ocupavam com palavras e desejos de mudanças o Café Estrela, na Rua da Bahia. Prova disso é o lançamento da “A Revista” em 1925, por Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava, Milton Campos, Gustavo Capanema e Emílio Moura, o que posicionou Belo Horizonte no ritmo dos modernistas do Rio de Janeiro e de São Paulo. Uma pedra no caminho, que impulsionou inúmeras outras gerações de artistas mineiros como Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Otto Lara Resende.

O Modernismo foi consolidado por JK na década de 40. O então prefeito queria uma metrópole moderna com diálogo entre arte, arquitetura e outras linguagens artísticas — o que acabou por alterar o imaginário da cidade, interferindo na produção cultural e na economia.

Novos espaços abertos

Hoje, muitos nomes da cultura mineira tem reconhecimento internacional. Na música Milton Nascimento e seu Clube da Esquina, Skank, Pato Fu, Sepultura. Na dança, Grupo Corpo e 1º Ato; no teatro Grupo Galpão, Companhia Giramundo de Bonecos; nas artes plásticas a Escola Guignard. Além, é claro, da atual geração que começa o voo alto em busca de outras gerais. São transações culturais que se difundem por esse Brasil de diversidade.

Belo Horizonte exporta e importa cultura e conta com importantes festivais nacionais e internacionais, como o Festival Internacional de Teatro (FIT) e o Festival Internacional de Dança (FID). São inúmeros centros culturais e coletivos que esbanjam criatividade e incentivam a produção artística mineira. Sem falar no Inhotim, próximo à capital, com destaque internacional nos campos da arte contemporânea, botânica, educação, inclusão e cidadania. BH une uma riqueza de manifestações que a coloca como pólo cultural, além de possuir uma agitada vida noturna e propensão já tradicional para os negócios.

Espaços e atividades culturais

Belo Horizonte ganhou recentemente um Circuito Cultural, logo ali, na Praça da Liberdade, aos pés da Rua Bahia dos poetas. Implantado pelo Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, o Circuito Cultural Praça da Liberdade foi projetado para oferecer à população espaços e atividades de cultura, arte e educação. Já bem adiantado, o projeto pretende transformar os antigos prédios públicos — hoje concentrados na Cidade Administrativa — em espaços interativos abertos ao público.

Belo Horizonte foi inaugurada em 1897 e tinha como marco principal a Praça da Liberdade, que em 1905 ganhou um novo projeto paisagístico, com palmeiras imperiais e espaços de vivência coletiva. Ao redor, os prédios públicos e o suntuoso Palácio da Liberdade, antes sede do governo de Minas Gerais. Construído no ano de 1897, com um traçado neoclássico, o palácio mescla vários estilos arquitetônicos e nacionalidades. São painéis que retratam a Revolução Francesa, um piano de cauda alemão, móveis da Letônia, escadas belgas e até uma cadeira de dentista trazida por Juscelino Kubitschek que nas pausas da rotina política, usava-a para fazer a barba.

O Palácio já era aberto à visitação, mas hoje com a sede do Governo transferida para o Palácio Tiradentes na Cidade Administrativa, é parte do Circuito e está mais acessível ao público em toda a sua exuberância. Misturam-se por lá não só arquiteturas, mas também histórias. Como a descoberta do elevador, que durante sete décadas ficou escondido entre paredes, afogado no concreto. E as palavras que saíram libertas da sacada do Salão Nobre, onde foram pronunciados alguns importantes discursos da história do Estado.

Túnel do tempo

O Circuito é uma parceria desenvolvida pela iniciativa privada e poder público. Diversidade é a palavra, no que é um dos maiores conjuntos integrados de cultura do Brasil. O projeto vai oferecer acervos históricos, artísticos e temáticos; centros culturais interativos; biblioteca e espaços para oficinas, cursos e ateliês abertos; além de cafeterias, restaurantes e lojas.

Em meio aos prédios neoclássicos está o edifício dos arquitetos Eolo Maia e Sylvio Podestá, apelidado carinhosamente pela população de Rainha da Sucata,  é hoje o Centro de Apoio ao Visitante — onde todas as informações do Circuito Cultural da Praça da Liberdade estarão acessíveis e reunidas.

Lá o visitante poderá saber sobre o Memorial Minas Gerais, patrocinado pela Vale e instalado no antigo prédio da Secretaria de Estado da Fazenda, datado de 1895. Um pequeno túnel do tempo que abriga a história de Minas e abrange folclore, cultura, história e linguagem. Projetado pelo cenógrafo Gringo Cardia, o espaço oferece um mergulho na história do Estado desde o século 18 até os dias de hoje.

A história continua no Museu das Minas e do Metal, localizado no antigo prédio da Secretaria de Estado da Educação, também de 1895 e tombado pelo IEPHA/MG. Com várias salas de exposição, o objetivo do espaço é contar sobre o desenvolvimento econômico e cultural de Minas, desde o ciclo do ouro quando nossas minas eram as  mais reluzentes do mundo.

Já o prédio sede da antiga reitoria da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) ganhou ares de inovação: o Espaço TIM de Conhecimento é um museu de formação e divulgação científica, interativo e dinâmico que viaja pelo mundo da física, filosofia, antropologia, arqueologia, biologia, literatura, linguística e ecologia. Além de exposições fixas e temporárias, cursos e oficinas, o espaço conta ainda com um planetário e um terraço astronômico. Da praça para os céus.

 O Circuito Cultural vai muito além. Também fazem parte dele o Arquivo Público Mineiro, o Museu Mineiro, o Centro de Arte Popular – Cemig e a Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa. E, em breve, a praça vai contar com a Casa Fiat de Cultura, antes no Bairro Belvedere; o Centro Cultural Banco do Brasil; o Inhotim Escola e o Museu do Automóvel.