Ao leitor

Duas décadas da
Estrada Real

Há 20 anos, surgia não só um nome, mas um conceito, uma ideia (ótima, convenhamos), chamada Estrada Real. A mensagem, já com uma marca de consistente comunicação visual e um belo design, surgia em forma de uma criativa campanha publicitária nitidamente de caráter institucional. Era uma iniciativa da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

O mote da mensagem era claro: não cabia só à indústria (ou ao setor secundário da economia, na época muito pressionado a dinamizar o quadro econômico) a responsabilidade de gerar empregos e renda. Existia outra indústria, a do turismo, que podia ser capaz de trazer um novo impulso à economia de um estado que, desde o período colonial é movido pelas atividades produtivas intimamente ligadas à extração de recursos minerais.

O fato é que uma criativa e bem-sucedida estratégia de marketingevoluiu para um projeto turístico não só interessante, mas também consistente e que, por sua vez, gerou o Instituto Estrada Real, ligado à Fiemg.

O projeto turístico Estrada Real ganhou repercussão no Brasil e no exterior e, graças à inegável consistência das atrações e dos atrativos turísticos da rota, foi bem-sucedido — e ainda hoje faz história. 

Sendo assim, esta Sagarana não poderia deixar passar despercebidos os 20 anos de existência da mais importante rota turística brasileira. Jamais será repetitivo ou redundante insistir na produção de reportagens — ilustradas, é claro, pelo que há de melhor em imagens, fotografias de alto padrão técnico e principalmente de rigoroso apuro estético — que enaltecem os patrimônios histórico, cultural e natural dessas muitas Minas desenhadas pelas trilhas das estradas reais.

A grande reportagem sobre o magistral legado da arte e da arquitetura em estilo barroco — representado nas igrejas que decidimos estampar nestas páginas — é rica em detalhes e informações, inclusive por meio do uso de conceitos didáticos. As fotos ampliam esse detalhamento, porque é fundamental retratar o quanto são importantes as obras erguidas por gênios como Aleijadinho e Ataíde. Esse patrimônio, que também é de toda humanidade — devidamente reconhecido pela Unesco por meio do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, e de Ouro Preto —, é poderoso (incomparável no Brasil) produto turístico.

Seguindo por essa mesma premissa, em outra reportagem aqui destacada, procuramos avaliar o que aconteceu nessas duas décadas em termos da evolução — e consagração — de produtos turísticos ligados às modalidades de ecoturismo e turismo de aventura. Escolhemos retratar a região da Serra do Espinhaço, onde a atividade turística da natureza precisa sobreviver e se desenvolver rigorosamente ao lado da conservação do meio ambiente. Mais uma vez, as fotos desta Sagarana entram para desvelar que esse recanto do Espinhaço abriga uma das mais importantes biodiversidades do planeta terra.

Por fim, embora não façam parte da rota das estradas reais, mostramos em detalhes as belezas do Parque Estadual do Rio Doce — uma unidade que conserva um rico manancial de águas lacustres em meio aos biomas Mata Atlântica e Cerrado.

E, para nunca, jamais, nos esquecermos de um crime: o ensaio fotográfico assinado por Ísis Medeiros, que desnuda a tragédia de Brumadinho. Não há mais nada a acrescentar sobre essa página sofrida da história destas Minas Gerais, as imagens dizem.