Neste paraíso ecológico não faltam opções de lazer. Fernando de Noronha oferece um amplo mosaico de atrativos para os turistas — atividades que vão desde as mais leves e relaxantes caminhadas até os mergulhos em alto mar, além dos passeios de barco, das aventuras  por trilhas mais desafiantes e do simples  ato de contemplar as indescritíveis belezas naturais do abençoado arquipélago.

Reportagem: Marina Rattes / Amanda Queiróz Caldeira / Assad Abrahão
Fotos: Jean Yves Donnard

A taxa de preservação ambiental cobrada para a entrada na ilha, não é impedimento para os cerca de 800 turistas que circulam diariamente pela comunidade. De todas as idades e perfis, eles vêm a Fernando de Noronha para descansar e relaxar, mas principalmente para conhecer as maravilhas do lugar. “Em Noronha estão as praias mais lindas do Brasil. São incríveis as surpresas que essas águas cristalinas e com várias tonalidades de azul guardam. O pôr do sol é impressionante. A beleza natural da ilha e a riqueza da fauna marinha fazem de Noronha um cenário encantador e inesquecível”, conta a médica Gabriela Braga Ceccato Prates. “As paisagens são exuberantes. As aves fazem vôos rasantes e comem peixes nas mãos dos pescadores. Nunca tinha visto isso antes. Achei sensacional”, completa o administrador de empresas aposentado Ricardo de Avelar Andrade.

Mergulho

Uma das atividades mais procuradas é o mergulho autônomo. Experientes ou amadores, os adeptos deste esporte são unânimes em afirmar que Fernando de Noronha é um dos melhores pontos de mergulho do mundo.  Além da incrível diversidade de fauna marinha, a média de temperatura da água é de 26 graus e a visibilidade de até 50 metros na horizontal.

São muitos os locais abertos à exploração turística — todos por meio das operadoras credenciadas. Para quem nunca mergulhou, é possível realizar um curso no próprio local. Um dos pontos mais cobiçados é Pedras Secas, uma formação rochosa peculiar, habitat de grandes cardumes e até golfinhos. A Laje dos Dois Irmãos, também conhecida como Laje dos Tubarões, é uma grande área submersa repleta de tubarões de bico fino — uma espécie mais arisca e selvagem que seus primos cação-lixa, também encontrados no local. Na Caverna da Sapata — em um dos extremos da ilha principal — os mergulhadores fazem um passeio subaquático até chegar a uma enorme gruta submersa.

Pra aqueles que não se animam a colocar máscaras, roupas especiais e tanques de oxigênios, o mergulho livre ou, de flutuação, pode ser uma ótima opção. Este tipo de mergulho também deve ser feito com o acompanhamento de um guia credenciado. Os locais mais comuns para esta atividade são o naufrágio do Porto de Santo Antônio, o Morro de Fora na Praia da Conceição e a Baía do Sueste. “Com máscara e snorkel, nadamos pertinho das tartarugas, ouriços, arraias, tubarão lixa e milhares de peixinhos coloridos”, conta Gabriela. Os mergulhos acontecem todos os dias pela manhã e pela tarde e têm duração aproximada de duas horas e meia.

“Mar-de-dentro” e “mar-de-fora”

Outra boa pedida são os passeios de barco.  Um dos trajetos sai do Porto de Santo Antônio, passa ao lado das ilhas secundárias e suas formações rochosas e continua rumo ao outro extremo do arquipélago, cruzando diversas baías e praias, como a do Sancho, onde é feita uma parada para banho. Também existem passeios no período da tarde, uma ótima opção para quem quer apreciar o pôr do sol rodeado de um cenário inesquecível.

Na linguagem local, Fernando de Noronha tem dois mares.  O “mar-de-dentro” é aquele que vai ao encontro do continente brasileiro. E o “mar-de-fora” é o outro, o que vai dar lá na África.

Com águas calmas, protegidas do vento, o mar-de-dentro possui 10 praias e duas baías. O acesso de uma praia à outra é muito tranquilo. Fazendo uma agradável caminhada, é possível conhecer vários lugares no mesmo dia.

A primeira praia do mar-de-dentro é a Biboca. Situada abaixo da Fortaleza dos Remédios, é formada por pedras negras que evidenciam a origem vulcânica da ilha. Apesar de não ser apta para banho, permite caminhadas na maré baixa. Por ali costumam ser encontrados muitos vestígios de naufrágios.

Surfe e paz

Logo em seguida e bem próxima à vila, fica a Praia do Cachorro, que recebeu esse nome porque possuía uma fonte em bronze com a cara de um cachorro. Entre as atrações da praia estão uma bica de água doce, uma piscina em pedra — o Buraco do Galego — e as muralhas do Parque Sant’ana, conhecidas como Salgadeira por terem sido usadas pelos pescadores para salgar o peixe.

Passando pela Praia do Meio, pequena extensão de águas mansas e piscinas de pedra, chega-se à mais popular das praias do arquipélago. De grandes proporções e fácil acesso, a Praia da Conceição — também conhecida como Italcable — está localizada no sopé do Morro do Pico. O primeiro nome decorre da existência, no século XVIII, de um forte chamado Nossa Senhora da Conceição. A segunda denominação se deve à presença, a partir de 1925, de italianos de uma empresa de telegrafia submarina a cabo chamada Italcable. Nas marés altas, esta praia é ótima para a prática do surfe. Na maré mansa, é calma e perfeita para relaxar.

Outra praia muito atrativa para os surfistas é a Praia do Boldró. Na maré alta, suas ondas são um convite para quem aprecia o esporte. Quando a maré está baixa, é possível caminhar sobre as pedras e por uma longa extensão de areia. No alto de uma falésia fica o Forte de São Pedro do Boldró, um excelente mirante de grande valor histórico por ser uma das fortificações do sistema implantado na ilha no século XVIII.

Para quem busca privacidade, a Praia do Americano é uma ótima opção. Ganhou este nome por estar localizada ao lado do Posto de Observação de Teleguiados, na época em que a ilha serviu como base militar para os Estados Unidos.

Aquário natural

Saindo da Praia do Bode — com suas piscinas de pedra e enorme rocha que serve como mirante — e passando pela pequena e sossegada Praia da Quixabinha, chega-se à Cacimba do Padre. Uma das maiores praias da ilha, tem como atração principal o Morro dos Dois Irmãos. Na parte alta funcionou, durante os séculos XVIII e XIX, um grande alojamento de presidiários de mau comportamento, chamado Vila da Quixaba.

Outra maravilha do arquipélago é a Baía dos Porcos. Uma área pequena, com pouca extensão de areia e repleta de pedras, transformada em lindas piscinas naturais de peixes coloridos. Emoldurada por um alto paredão de rochas pretas e pelo Morro dos Dois Irmãos possui, na parte alta, o Forte de São João Baptista dos Dois Irmãos, última fortificação deste lado da ilha. O acesso à baía é difícil e feito pelas pedras.

Uma das poucas áreas que permitem a parada de embarcações sem prejuízos aos corais é a Praia do Sancho. O acesso a este lugar de águas transparentes e paisagem exuberante pode ser feito pelo mar ou pelas rochas, por meio de escaladas. Vale lembrar que a Praia do Sancho está dentro do perímetro do Parnamar e por isso possui fiscalização constante.

A mais conhecida atração de Fernando de Noronha é a Baía dos Golfinhos. Considerado o maior aquário natural do mundo em animais desta espécie, este local é usado por eles para acasalamento e descanso. Como a entrada de turistas é proibida, a solução é admirar os simpáticos animais do alto da baía, no Mirante dos Golfinhos.

Paisagem singular

No extremo da ilha principal fica a Ponta da Sapata, um dos lugares preferidos dos mergulhadores. Nesta área ainda há vegetação nativa, que permanece praticamente intocada por estar em uma região íngreme e de difícil acesso.

Do outro da ilha, no chamado mar-de-fora, estão mais quatro praias e uma enseada, além de áreas de contemplação e piscinas naturais.  O mar é agitado e repleto de arrecifes e peixes coloridos.  Ótimo para os adeptos do mergulho.

A Praia do Leão se destaca por suas formações rochosas. De um lado, uma enorme pedra que se assemelha a um leão marinho — daí o nome do lugar — e do outro, o Morro da Viuvinha, com seus incontáveis ninhos.  No alto, as ruínas do Forte do Bom Jesus do Leão, com 13 canhões semi-enterrados. É nesta praia que ocorre o maior número de desovas de tartarugas. Por esta razão, fica proibida a entrada de turistas após as 18 horas durante os períodos de desova.

A Praia do Atalaia possui uma paisagem singular. Pedras negras de origem vulcânica, arrecifes, piscinas naturais de intensa vida marinha e uma pequena extensão de areia.  No canto esquerdo da praia ficam as ruínas de uma salina que funcionou ali durante a Segunda Guerra Mundial.  A praia está localizada na área do Parnamar e recebe rígida fiscalização do Ibama.

Contemplação

Outro atrativo imperdível é a Enseada da Caeira.  Situada dentro do perímetro do parque nacional, possui inúmeras piscinas em pedra, uma enorme variedade de pássaros e grandes dunas ao redor.

De mar calmo e ondas suaves, a Baía do Sueste é uma alternativa ao Porto de Santo Antônio durante as épocas de ressaca no mar-de-dentro.  À esquerda da baía estão as ruínas no Forte de São Joaquim do Sueste. Junto ao mar, o único mangue em ilha oceânica.

Emoldurada por um mar de azul profundo e repleta de piscinas naturais, peixes coloridos, arraias e cações, a Ponta das Caracas atualmente está proibida para banho devido a seu acesso perigoso. Vale a pena, no entanto, apreciar a paisagem.

Entre as áreas de contemplação se destacam o Buraco da Raquel — enorme pedra à beira-mar, rodeada de piscinas rasas, cheias de peixes coloridos — e a Ponta da Air France — de onde pode ser vista a única fortificação localizada fora da ilha principal, o Forte de São José.

Trilhas e caminhadas

Para quem gosta de caminhar reverenciando a natureza, a dica são as surpreendentes trilhas de Noronha. A Trilha do Atalaia leva em média cinco horas para ser concluída e exige esforço físico dos participantes. O grupo sai da Praia da Caeira e passa por falésias e rochas até chegar ao Morro da Pontinha, que oferece uma linda vista do arquipélago. A última parada é a Praia do Atalaia, onde poder ser feito mergulho de flutuação.

Para quem se interessa pelo passado de Fernando de Noronha, existem duas opções de passeio, a Trilha Histórica — que exige bom condicionamento físico e dura cerca de cinco horas — e a Caminhada Histórica — atividade leve que pode ser feita em até três horas. A primeira começa na Praia do Americano, passa pelas ruínas do antigo Forte de São Pedro do Boldró até chegar à praia do Boldró. Em seguida, continua pela encosta do Morro do Pico e Praia da Conceição, terminando no conjunto histórico da Vila dos Remédios.

Já a Caminhada Histórica começa pelas igrejas, casarões e ruínas da vila e continua pelas praias do Cachorro, Meio e Conceição. Na última, é feita uma parada para banho.

Mas contar tudo isso com palavras escritas, não é o mesmo que ver as cores e sentir a magia. Para entender a singularidade de Fernando de Noronha é preciso estar aqui, pisar a areia, degustar os sabores e  mergulhar no azul. Fica a dica!


As opções da gastronomia

Para completar o leque de atrativos, Fernando de Noronha oferece ao turista diferentes opções gastronômicas, que vão desde a culinária regional mais simples até pratos requintados. Peixes e frutos do mar são os principais ingredientes presentes no cardápio. Uma especialidade local é o tubalhau —famoso bolinho preparado com carne de tubarão.

“A ilha é pequena, mas oferece restaurantes com variedade. O peixe na folha de bananeira é delicioso”, conta Gabriela. São cerca de 30 restaurantes que atendem os mais variados paladares. Durante o dia, os bares da Praia do Meio e Conceição servem petiscos e lanches.  À noite é a vez dos pratos mais elaborados, como os frutos do mar do Ekológikus, no Sueste; as massas da Tratoria di Morena, na Floresta Velha; os sushis do Porto Marlin, no Porto; a moqueca do Varandão da Ilha, na Vila do Trinta; e o bufê do Zé Maria.