André Junqueira Caetano:

sem companhia tão semente a dirigir o automóvel na companhia de amadas tertúlicos de volta para casa para viver o que é nosso sem a companhia de ninguém que é assim nossa essência e nação. as boas lembranças da criança e do adolescente estavam boas lambanças flambadas pelo tempo da fazenda que se fez basáltica nos milhões de anos que antecederam sua colonização. decerto. entrementes houve outras coisas. o fim das férias. o fim da pista dupla. o fim do acostamento no início da terceira pista nos aclives. o fim desta no fim dos aclives. o fim da estrada nos perímetros urbanos dessas cidades que salpicam o caminho entre as regiões metropolitanas e as zonas rurais de canaviais e campos de soja. o fim da parada para o almoço lanche xixi. o fim sempre à frente no caminho sem fim. teria havido até o fim da concretude da poesia da indagação do paraquê da precisão da intuição. houve até mesmo o fim da vontade de que as férias não terminassem nunca [lembranças às vezes são graça às vezes são pura perda de tempo e esse sim nunca haverá de ter fim] assim como há um fim para afetos ou para eles envelhecidas substâncias. o fim de tudo. para que se aja em novas fragrâncias. haverá silêncio enquanto ela se constitui nova e belos dias de caminhos de volta. a luz claridade sol o olho do mês de julho próximo ao trópico de câncer descia bem no meio do cu do cerrado. a lonjura das coisas no horizonte da circularidade do ano. a criança adormecera no recanto que ao fim da muita aflição com o sem-fim lha coube. a adolescência também sossegara no recanto das eternidades de abulia calcinante das paisagens laterais que sempre lha encantarão. encanto que foi e o que foi e passou. por isso venta. para isso o vento. curva acentuada à direita. lombada. faixa contínua. proibido ultrapassar. polícia rodoviária federal a 500 metros. longo trecho em declive. verifique os freios. lá em baixo um policial no meio da pista vai parando tudo. no meio da pista há um morto com uma das mãos para fora da lona que lhe cobre o corpo. a mão soluça. bananeira na secura. no rádio do policial uma voz fanha informa que é o corpo de um plantador de abóbora. o plantador de abóbora jaz ao fim do longo trecho em declive. a estrada segue.  serpenteando.