Santo rio, sagradas águas

Dono de belas paisagens e de uma cultura ímpar no cenário brasileiro, o rio São Francisco é adorado por moradores e turistas. Mas o “Velho Chico” clama por socorro. O desmatamento, as atividades não sustentáveis de agronegócio e, principalmente, a poluição causada pelos esgotos das cidades lançados no rio sem tratamento são alguns dos gravíssimos problemas.

Reportagem Juliana Afonso
Fotos André Dib

Escrever sobre o rio São Francisco é sempre uma grande responsabilidade. Basta olhar para as árvores frondosas que nascem nas suas margens e as dezenas de passarinhos coloridos que no amanhecer passam voando e cantando. Basta olhar para os rostos de tantos ribeirinhos que construíram suas moradas próximo ao rio, que encontraram sustento, que constituíram família, que fizeram da terra fértil o solo das suas vidas. Escrever sobre o rio São Francisco é escrever sobre essas histórias. Cada uma delas tem um enredo diferente. Todas tem um fator comum.

Não posso me dar ao luxo — ou me entregar à preguiça — de fazer alguma generalização, este amargo artifício que toma a parte pelo todo e impede que as pessoas percebam nuances e sutilezas. Não. Para falar de um organismo tão complexo como um rio que passa por cinco estados brasileiros em seus quase três mil quilômetros de extensão é preciso perceber que o que acontece na nascente nunca será igual ao que sucede na foz. Frases como “já não existem peixes” e “o rio está seco” não podem ser pronunciadas como valor universal. O Velho Chico sempre parecerá caudaloso quando chega ao mar, sempre parecerá puro nos seus primeiros quilômetros de extensão, quando o curso d’água ainda não conhece os problemas nem as consequências da exploração humana.

Mas entre a nascente e a foz, a inocente água doce de um Velho Chico sem maldades sofre uma transformação crescente. Isso ficou claro durante aquela viagem de 15 dias entre Pirapora e Manga, a bordo do barco do projeto Cinema no Rio (ver quadro). No único trecho navegável dentro do estado de Minas Gerais, as nuvens coloridas pelos raios de sol se misturavam à fumaça que saia das chaminés das indústrias na beira do rio. A água naturalmente amarronzada que se deixava levar pela correnteza se mesclava com outras tantas tonalidades, algumas antinaturais, frutos de afluentes que passam por cidades poluídas. Hoje, a beleza das suas margens a perder de vista se mistura as lembranças do nosso barco atracado no meio do rio, em barrancos de areia que anos atrás não existiam.

Fomos prejudicados pelo período em que a viagem aconteceu: agosto e setembro. Falta de chuva. Seca na certa. Ainda assim, a situação que o Velho Chico enfrenta, hoje, não é fruto da natureza. O São Francisco nasce límpido e segue conhecendo as moléstias que o homem pode causar por meio da descarga de resíduos, da pesca indiscriminada, da destruição das lagoas marginais, do desmatamento da área verde, do lançamento de agrotóxicos, da construção de barragens. Mas ele resiste. E traz esperança aos olhos dos ribeirinhos. Olhos que brilham como a água do rio.

Raro efeito

Eu já peguei peixe de 60 quilos, 50 quilos. Hoje um peixe considerado grande é de 30 quilos. Eu acho que o rio tá morrendo… O pescador que não é piolho d’agua não pega peixe.

Hilton Honório Bispo, pescador – Pedras de Maria da Cruz

Quem se debruça na beira do rio logo pela manhã vai ver algum barquinho voltando para as margens, sossegado. Com sorte dá para ver alguém jogando rede. Os pescadores mantêm o hábito de sair para pescar a noite e retornar só de manhã. O que mudou foi a bagagem: está cada dia mais difícil voltar com peixe.

Segundo o secretário de Cultura, Turismo e Lazer de Matias Cardoso, Luiz Mário Cardoso da Silva, a escassez de peixe começou há 15 anos. “Nos últimos dez anos o número de pescadores aqui diminuiu 40%. Não tem peixe, como que vai pescar?”, pergunta. Em algumas cidades, porém, a mesma realidade provocou consequências diferentes. “A colônia de pescadores de Pedras de Maria da Cruz tem quase 300 pessoas. Tem mais pescador do que antes porque agora tem seguro desemprego. Nos meses da Piracema a gente recebe salário”, explica o pescador Hilton Honório Bispo.

Com a falta de peixe, muitos se vêm obrigados a procurar alternativas, como a pescadora e Tesoureira do Conselho de Desenvolvimento Comunitário da Barra do Guaicuí, Zélia Aparecida de Assis Viana. Depois de anos buscando recursos para trabalhar com a produção de filé, eles resolveram trabalhar com frutas, como acerola, manga, baru e pequi. “O peixe está sumindo e não queremos fazer filés de peixes pequenos porque isso é errado. Eles têm que ficar no rio para se desenvolver. Mexer com outra coisa que não seja peixe vai ser mais rentável para nós”.

Surubim, dourado, curimatã, piranha. Restam as lembranças… como as de Ana Rita de Oliveira, 88 anos, dona da pousada mais antiga de Matias Cardoso. “Tinha tanto peixe nesse rio… um dia meu esposo comprou um surubim de 75 quilos. A gente nem comeu porque peixe muito grande não é gostoso, o couro dele é grosso. Então ele foi vender lá depois de Missões. Hoje você vem cá e pesca piaba”.

Mar de peixe

A gente já viu muito peixe descendo morto de 2001 pra cá. A gente tem certeza que é por causa das indústrias. Aqui tem uma de tecidos e outra de alumínios e aço.

Evaldo Pinto de Souza, vice-presidente da Colônia de Pescadores de Pirapora – Pirapora

O que é ruim se alastra rápido. Rápido. Assim é medida a velocidade da contaminação causada pela descarga de resíduos tóxicos das indústrias próximas ao rio São Francisco. E não importa onde a fábrica esteja: a correnteza vai levar a poluição para o resto do leito. “De uns tempos pra cá veio muito peixe morto. Mas antes não era comum, não. Já fizeram vários estudos e comprovaram que é por causa da poluição lá em cima”, explica o pescador Hilton Honório Bispo, de 50 anos.

Hilton mora na cidade de Pedras de Maria da Cruz, mas faz referência a Três Marias, município a 480 quilômetros de distância. É lá que se localiza uma das metalúrgicas da extinta Companhia Mineira de Metais, que em 1969 começou a produzir zinco eletrolítico, um tipo de material utilizada em peças de ferro para evitar a oxidação. Todos os rejeitos eram armazenados diretamente sobre o solo ou jogados no rio, no caso, no córrego Consciência, afluente do São Francisco.

Após a realização e divulgação de pesquisas confirmando contaminação por metais pesados, foram construídas barragens de contenção de rejeitos, a cargo da então responsável Votorantim Metais. A primeira começou a funcionar em 1983. A segunda em 2002. Mas a os resíduos tóxicos, arremessado ao rio durante anos, continuam lá. Apesar de a empresa garantir que o rio já não apresenta riscos a população ou a fauna local, os índices de contaminação seguem altos.

“A gente comunica, denuncia, faz passeata. Entramos com uma ação contra a Votorantim em 2006. Mas é muito difícil lutar com empresa grande. Eles têm três mil advogados. A gente fica desacreditado, por mais que tenha certeza das coisas”, conta o vice-presidente da Colônia de Pescadores de Pirapora, Evaldo Pinto de Souza.

Existem relatos da contaminação do rio por outras companhias. Uma delas é a Cedro, uma das principais empresas têxteis do país, com fábrica em Pirapora. Os moradores afirmam que “as vezes a água desce verde ou vermelha” e que a causa são os corantes usados nos tecidos.

Encontro das águas

Ih… hoje pra vender tem que mentir, tem que falar que o peixe é de lagoa. O pessoal sabe que a água tá poluída e não quer comer peixe do São Francisco. Muito menos do Velhas.

Adriana Aparecida, Agricultora – Barra do Guaicuí

O Velho Chico recebe as águas de 168 afluentes, da foz à nascente. São águas que saíram do alto, de montanhas e de cascadas, águas que começaram frágeis, que se tornaram fortes, que atravessaram fronteiras. O maior deles é o Rio das Velhas que começa no município de Ouro Preto e termina em Barra do Guaicuí, quando encontra o São Francisco. Carrega beleza e força. Além da sua importância histórica como um dos caminhos mais percorridos durante o Ciclo do Ouro. Hoje em dia, também carrega esgoto.

“A água do Rio das Velhas vem suja. Agora você encontra aquelas algas verdes no São Francisco, aquelas espuminhas. De 90 pra antes não encontrava não”, garante a agricultora Adriana Aparecida, moradora de Barra do Guaicuí. O rio das velhas é o maior afluente do Velho Chico, e também o que mais polui porque passa por dois centros urbanos com grande produção de esgoto: Belo Horizonte e Sete Lagoas. Antes de a capital mineira ter tratamento de esgoto era ainda pior: “você colocava a mão na água do Velhas e tinha a impressão que a água demorava para escorrer. Era meio pegajoso, uma cor assim meio marrom”, conta. Sete Lagoas segue sem um sistema de tratamento de seus efluentes.

Para fechar (agro)negócio

Veja bem, não existe essa questão de poupar o uso da água do rio. Ao contrário, o pensamento é de atrair o agronegócio de qualquer jeito porque essa seria a única riqueza que o município vai ter.

Diogo Saraiva Moreira, secretário de Administração, Fazenda e Planejamento – Manga

Alguns trechos do rio atravessam regiões secas, áridas. Locais em que a sobrevivência se dá pela persistência. Não é o caso das cidades percorridas naquela viagem. Entre Pirapora e Manga, o sol é forte, a terra é fértil e a água é suficiente para a agricultura, inclusive nos períodos de seca. Um clima perfeito para plantar e colher.

Antigamente, quem não era agricultor era pescador. E quem não era pescador era agricultor. Centenas vieram de fora, interessadas pelas propriedades da terra da região. Era assim na época dos grandes fazendeiros, que chegavam a disputar o poder com armas de fogo, e é assim no tempo presente. O que mudou foi a maneira de se chegar a um acordo. Hoje, quem tem dinheiro ganha.

O agronegócio chegou com toda a pompa. “O município está dentro do projeto Jaíba. Que é o maior projeto de irrigação da América Latina. Ele produz e emprega a maior parte da nossa população. Hoje nosso município produz 25% de toda produção de limão que sai de Minas Gerais para a Europa e para parte do oriente como Ásia e Egito”, conta o secretário de Cultura, Turismo e Lazer de Matias Cardoso, Luiz Mário Cardoso da Silva. Ele afirma que o financiamento para o Jaíba vai para pequenos e grandes agricultores, já que o projeto atende propriedades de terra de 20 a 120 hectares.

Para muitos, porém, o agronegócio é um dos problemas mais bem disfarçados da bacia do São Francisco. O secretário de Desenvolvimento Rural e Econômico de São Francisco, José Hélio Alves, vai no ponto: “Se eu sou um grande produtor e vendo para o país inteiro, e se você começar a produzir e atrapalhar um dos meus campos, eu vou fazer com que você não produza para que eu produza mais. Essa, infelizmente, é a realidade do capitalismo”. Ele assegura que estão tentando criar um mecanismo para que os pequenos produtores possam vender seus produtos. O setor foi beneficiado com a Lei nº 11.947/2009, que prevê que 30% do dinheiro a ser gasto com merenda escolar seja adquirido de produtos da agricultura familiar.

Repositórios de vida

E é a enchente que alimenta o rio porque o peixe fica armazenado nas lagoas. Quando é grande, ela vai nas lagoas. Depois o rio vai nas lagoas e retoma o peixe. Antes tinha enchente de dois em dois anos. Agora a gente passa seis anos sem ter.

Hilton Honório Bispo, pescador – Pedras de Maria da Cruz

Pouca gente sabe, mas as lagoas marginais que se formam próximo à margem do Velho Chico são fundamentais  para a manutenção da vida no rio. Nas suas águas sem correnteza, os peixes encontram o ambiente perfeito para depositar as suas ovas. Algumas lagoas estão sempre cheias. Outras perdem a água nos períodos de seca. Então o rio enche. A água vai para as laterais, enche as lagoas, e volta para o rio carregando vida lacustre. Mas com a seca e o assoreamento esse ciclo acontece de maneira cada vez mais esporádica. “Depois que acabaram as enchentes, acabou o peixe”, completa o pescador Hilton Honório.

Muitos acabam pescando fora da tabela desenvolvida pelo Ministério da Pesca e Aquicultura, que estabelece os tamanhos mínimos para a captura de cada tipo de peixe. No rio São Francisco, de maneira geral, está proibido o uso de rede com malha fina. Mas com a diminuição do número de peixes, o pescador vai contra a lei. “O pescador faz pesca que não pode, exagerada. Malha fina é o de menos, hoje em dia tão pescando com três malha. Tem fiscalização, mas eles vêm uma vez por semana e olhe lá”, assegura a pescadora e Tesoureira do Conselho de Desenvolvimento Comunitário da Barra do Guaicuí, Zélia Aparecida de Assis Viana.

Algumas das lagoas permanentes estão dentro de propriedades de fazendeiros e tem entrada restrita. Zélia conta que a cancela que dá acesso à Ilha do Boi, em Barra do Guaicuí, costuma ser fechada pelo dono das terras. Mas antes de levar a denúncia em frente, os moradores do local têm de levar outros fatores em conta. “O fazendeiro de lá dá muita força para a comunidade. Ele proibiu a pesca na lagoa? Proibiu. É errado? É. Só que de outro lado a gente depende dele para colher o baru, o pequi… vale a pena comprar uma briga desse tamanho?”, questiona.

A beirada é nossa

Queremos incentivar a agricultura familiar, porque é ela que sustenta o meio rural. Nós temos em São Francisco uma produção de 400 a 600 toneladas de abóbora anualmente. Isso sai das vazantes e das ilhas dentro do rio.

José Hélio Alves, secretário de Desenvolvimento Rural e Econômico – São Francisco

Ao chegar a Itacarambi uma pichação no muro que separava o rio da cidade dizia: “A beirada é nossa”. A inscrição era curiosa. Faz pensar nos moradores daquelas tantas cidades que tiveram suas casas retiradas das margens do rio para dar lugar a portos cimentados e em tantos outros que foram obrigados a sair dali por causa do clima que secou a terra e fez o barranco despencar.

Barranqueiros. Vazanteiros. Esses são alguns dos nomes dados aos cidadãos que ainda moram nas “beradas” do rio São Francisco. Quando o pescador Hilton Honório era criança, a população tinha uma relação muito mais forte com o rio. As águas davam o peixe e as ilhas e barrancos davam as frutas e legumes. Só que muitos abandonaram as ilhas. “A terra enfraqueceu. A enchente adubava a terra e se não tem enchente, a tendência é enfraquecer”, conta. A maioria dos donos das terras vendeu para grandes fazendeiros. Outros simplesmente foram embora.

Feijão, milho, fava, mandioca, abóbora, melancia, batata doce. Tudo isso saía das vazantes. “Até as plantações eram melhores. A beira do rio era cheia de abóbora e melancia. Hoje ninguém planta mais. O pessoal não tem mais aquela abundância de lavoura”, rememora a Presidente do Conselho de Patrimônio Cultural de Pedras de Maria da Cruz, Sandra Maria Abreu Meireles. O desmatamento das matas ciliares e o assoreamento do leito do rio são os principais problemas.

A cultura de um povo

As pessoas não admiram a cultura dessa região e não admira por falta de conhecimento. Eles não têm conhecimento do valor histórico e cultural que isso tem. O batuque daqui é uma dança muito impar aqui. E não existe em nenhum lugar.

Ludmila Dias Palmar, secretária de Cultura – São Romão

Existe algo que pulsa. Toca, bate, retumba. São tambores, pandeiros, sanfonas. Palmas, quando não há instrumentos, e falas, quando é preciso representar. A cultura do rio São Francisco é forte. Segue viva. Não é difícil cruzar com moradores antigos que participaram rodas de São Gonçalo, batuques de tambores e Reizados. E de gente que participa até hoje. “Essa tradição me acompanha desde que eu tinha 16 anos. Minha mãe cantava e eu achava lindo”, conta a organizadora do Reis das Pastoras em Itacarambi, Dona Lurdinha, 82 anos. Ela lembra sorrindo, de quando começou a fazer parte da roda. No dia em que visitamos a sua casa, além de biscoito e suco de maracujá feito na hora, Dona Lurdinha e seu marido, sanfoneiro, tocaram e cantaram algumas das músicas que fazem parte do repertório.

A cultura do São Francisco também está em outros tipos de arte, como o artesanato. Isso é fácil de perceber quando se visita a Associação do Carranqueiros de Pirapora. Lá estava Luiza Carneiro Soares, de 57 anos, uma das fundadoras do local. Sentada em um toco de madeira, em meio a um mar de serragem, ela terminava algumas de suas carrancas. “A gente aprendeu a fazer, olhando. Falam que carranca é pra espantar né? Dos caboclos d’água. Quando o barco tem uma carranca eles podem navegar sossegados porque ela protege”, explica.

Essas manifestações de cultura vão se perdendo pouco a pouco no convívio com uma televisão que não retrata a realidade do interior brasileiro, na companhia de uma rádio que não está aberta a expressões interioranas, na expansão de seitas —  as ‘religiões’ neopetencostais — que renegam as manifestações folclóricas.

A mudança na relação que as pessoas mantinham com o Velho Chico também alterou a maneira como elas vivem essa cultura. “Antes era tudo diferente. Todo mundo vivia no rio. O rio era o máximo. Agora o movimento é lá em cima. Os barzinhos também estão lá e cima, na beira do asfalto. Hoje, o asfalto é o máximo”, compara a Secretária de Cultura de São Romão, Luciana Dias Palmar.

Cinema ao ar livre

Em meio a esse cenário, lindo e devastador, um barco levava produtores, artistas, fotógrafos e jornalistas pelo Velho Chico. Era o barco do Cinema no Rio, projeto que tem como objetivo levar cinema nacional para a população ribeirinha do São Francisco. Em sua oitava edição, ele foi de Pirapora a Manga, o único trecho navegável de Minas Gerais, e ancorou em treze cidades às margens desse rio-mar para dar e receber um pouco mais de cultura.

O Cinema no Rio realiza outras atividades que vão além da projeção de filmes ao ar livre. Oficinas lúdicas de Fotografia são feitas com crianças e adolescentes das cidades atendidas pelo projeto e um curta-metragem com a história da região é produzido e editado para ser veiculado durante a sessão de cinema. “É um prazer enorme ver aquelas pessoas na telona e poder valorizar a cultura deles. Isso desmistifica um pouco essa questão de quem merece aparece ali. São sempre os heróis que aparecem e eles merecem aparecer porque eles são os verdadeiros heróis brasileiros”, afirma Inácio Neves, diretor da CineAr Produções e idealizador do projeto. Para ele, o Cinema no Rio é uma oportunidade de democratizar o acesso à cultura em um local que recebe poucos incentivos para esse fim.

Durante a viagem, Inácio Neves e parte da equipe passeia pelas cidades a procura de pessoas com histórias para contar. “É gente de muito conhecimento. Eles nos falam da história, do meio ambiente, da cultura, de manifestações populares que ainda nem foram registradas. É, de fato, a cultura viva da região”, afirma. E sorri. Durante os nove anos de labuta, mais de 200 mil pessoas já assistiram as sessões de cinema nos estados de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.