Foto: Jean Yves Donnard

(…) “A terceira das gerais é a ocupação do chamado ‘Nilo brasileiro’ que, para o mineiro, não é só o Nilo, é também o Gangis. No século XVII, junto com os navios negreiros, chegaram também as primeiras vacas no litoral nordestino. Senhores das Capitanias, munidos de gado e gente, fizeram da margem do Rio São Francisco o primeiro caminho da colonização do interior do Brasil. Foi essa civilização do couro, marcada pelo intenso contato entre negros, brancos e índios, que produziu a cultura do sertão pernambucano, da Bahia e do grande sertão mineiro das veredas da bacia do ‘Velho Chico’. Por essa estrada natural de água, barranco e areal, o sal saiu do litoral para temperar as abóboras, as papas de milho e mandioca, os laticínios, as carnes de sol e os peixes de varal, os feijões de corda e tudo isso que torna a comprida mesa mineira um espetáculo único de miscigenação e pluralidade”.  (Euclides Guimarães)