Birdwatching, imagens que cantam

 

Patativa.

O ‘birdwatching’ torna-se também uma atividade turística no Brasil. Estima-se que 45 mil pessoas se dediquem a ouvir, filmar e fotografar aves. A fotógrafa e ‘birdwatcher’ mineira Lívia Rebehy Queiroz expressa no trabalho produzido por ela o real significado de eternizar (em forma de arte) imagens de tantas espécies de pássaros.

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Fotografias por Lívia Rabehy Queiroz

Sangue-de-boi, o “príncipe”: a primeira inspiração da fotógrafa Lívia Rebehy Queiroz.

‘Birdwatching’: observar pássaros a olho nu ou com o uso de binóculos, telescópios e, é claro, com câmeras para fotografar e filmar no habitat natural deles, porém respeitando rigorosamente o ambiente em que eles vivem, inclusive sem alterar o comportamento das aves. Registros históricos indicam que o ‘hobbie’ existe há mais de 100 anos, originário da Inglaterra com reflexos no EUA — lá teria surgido, no ano de 1901, o nome ‘birdwatching’, por meio do título de um livro.

Guaracava-de-topete.

Desenvolver a capacidade de ouvir o canto dos pássaros também é algo essencial para o ‘birdwatcher’. Na maioria das vezes, torna-se muito mais fácil identificar uma   ave pelo canto dela do que conseguir enxergá-la de imediato. Os observadores, com o tempo, tornam-se especialistas na identificação dos passarinhos pelo gorjear deles.

Papa-mosca-do-campo.

A prática de observar aves registra um expressivo crescimento no Brasil. Para se ter um ideia, há uma década não passava de dois mil o número de ‘birdwatchers’ no país. Hoje, estima-se em mais de 45 mil apaixonados em visualizar, fotografar, filmar, gravar e ouvir pássaros. Para os próximos três anos, acredita-se que a quantidade de adeptos pode ultrapassar 100 mil pessoas.

1919 espécies no Brasil

Pelo fato de registrar dados muito interessantes, o Brasil, de fato, é um imenso manancial para o birdwatching — que, aliás, já é considerado como uma modalidade turística em plena expansão. Nos últimos 10 anos, o maior número de novos registros de espécies no mundo ocorreu aqui no país, dono de 1919 espécies já registradas, o que representa a segunda posição global — atrás somente da vizinha Colômbia.

Tacuri-Campainha.

Tangarazinho macho.

O maior e mais importante evento de observação de aves na América Latina, a Avistar, acontece no Brasil — todos os meses de maio. Já aconteceram 15 edições, sendo que a 15ª edição (transmitida pelo canal Avistar Conecta no You Tube) ocorreu de forma virtual e a próxima, em razão da pandemia, está programada para maio de 2022. A Avistar já chegou a reunir mais de 30 mil ‘birdwatchers’, como no ano 2015 na Reserva Ecológica Guapiaçu, em Cachoeiras de Macacu (RJ). Outro dado relevante é que o WeakAves, sítio brasileiro dos observadores de aves, é líder mundial no tráfego ‘on line’ para sites especializados em ‘birdwatching’.

Maria-preta-de-penacho.

Canário-do-campo.

Atualizações

Todavia, se comparado aos Estados Unidos, o Brasil ainda tem milhares de milhas a serem percorridas para consagrar de vez a modalidade de observar aves. Uma estimativa, considerada conservadora, garante que existem cerca de 45 milhões de praticantes — dados de 2016.

Em Minas Gerais — indiscutivelmente um  outro imenso manancial para avistar aves dentro das abundantes possibilidades brasileiras — esta reportagem ainda pretende discutir amplamente a atividade. A proposta é ouvir especialistas, profissionais da área, como guias, fotógrafos e pesquisadores, dentre outros ‘birdwatchers’, não só para mostrar o que acontece aqui nessas Minas Gerais como também para abarcar a realidade brasileira em relação à observação de aves. Portanto, essa matéria será objeto de outras atualizações.

Martim-pescador-pequeno.

Choca-de-asa-vermelha.

Para ilustrar o quanto torna-se irresistível o ‘birdwatching’ para o apaixonado pela prática, sobretudo no que se refere à fotografia — em todos os aspectos relacionados à pura arte de retratar pássaros por meio do binômio técnica e talento — esta reportagem está ancorada na trajetória (e nas fotos) da fotógrafa e ‘birdwatcher’ mineira Lívia Rebehy Queiroz, moradora de Belo Horizonte, mas nascida em Patrocínio (MG).

Embora ela se dedique há 25 anos à fotografia, retratar pássaros, por incrível que pareça! (a exclamação explica-se pela beleza dessas imagens aqui publicadas), só virou uma realidade na vida de Lívia — também uma empresária de sucesso — em 2020, e por causa da pandemia.

Noivinha branca.

Saí-azul fêmea.

Técnica e composição

As duas décadas e meia dedicadas à arte de fotografar coincide com a idade do filho mais velho de Lívia Queiroz. “A partir do nascimento do meu primogênito, me aprofundei nos estudos, fiz cursos e oficinas, procurei por melhores equipamentos, sempre no intuito de fotografar o crescimento dele — e depois dos meus outros três filhos”, conta. Na época, ela fotografava com a legendária câmera Hasselblad (formato médio) e tinha um laboratório em preto e branco para em revelar em casa, além de manter o devido cuidado com os registros, arquivando os negativos. “Segui fotografando a infância dos meus filhos, as nossas viagens familiares e as temporadas com os avós na fazenda em Patrocínio: “fotografia de família, que eu adoro fazer”, assinala Lívia.

Freirinha.

Saíra-douradinha.

Surucuá-variado.

A estrada como fotógrafa seguiu nos vários registros das viagens que ela fez (e que ainda faz regularmente), “priorizando retratar pessoas”, como ela destaca. De um tempo pra cá, Lívia afirma ter ficado  “mais livre” para fotografar paisagens. “Me tornei menos rígida, e desapeguei da técnica dos grãos, coisa de quem começou com negativo. Fiz uma certa desconstrução de não me apegar tanto à técnica”.

Petrin.

Tico-tico.

Nessa ‘nova’ fase do trabalho da fotógrafa, veja o que aconteceu, nas palavras dela: “quando comecei a ficar bem desapegada da rigidez técnica, eu encontro as aves. Sempre estive presente na fazenda em Patrocínio, gosto muito de viajar para lá e ficar no mato. Porém, eu nunca tinha observado as aves. Em junho de 2020, tirei um período para ficar na propriedade com a família, época de muita apreensão, um momento realmente tenso com a pandemia. Até que um dia eu saí para passear com uma criança que lá reside. Ela então me perguntou se eu já tinha visto o passarinho ‘sangue de boi’, que a gente também chama de ‘príncipe’. Respondi que não, mas passei a andar atrás dele até que o encontrei e fiquei fascinada pelo pássaro. Assim,  naquele mesmo mês de julho de 2020, eu comecei a fazer fotos das aves da fazenda e me surpreendi com o grande número de espécies existentes lá. Surgiu então uma imensa paixão, e não parei mais de buscar os pássaros, de observá-los”.

Bico-bico-de-lacre.

Ao se tornar uma ‘birdwatcher’, e produzir espetaculares imagens, Lívia reconhece que viveu uma “ironia”: “quando comecei a me desapegar da técnica, eu tive que retornar a ela, pois na fotografia de pássaro é preciso usar muita técnica o tempo todo para conseguir uma fotografia de qualidade — e ter todos os detalhes do passarinho devidamente registrados”.

Tico-tico-rei fêmea.

A fotógrafa argumenta que existem alguns desafios tanto na técnica quanto na composição: se há o domínio técnico, o fotógrafo vai saber se a luz é boa e se o lugar é bom — mais aberto ou se o mato é mais fechado.  As características das espécies, onde que elas costumam ficar, também precisam ser estudadas. Se a espécie está muito distante,  não se conseguirá uma fotografia nítida. Quando mais próxima a espécie, melhor a fotografia. “É necessário evitar os galhos e buscar um ambiente mais limpo, mas sempre no ambiente da ave para mostrar os detalhes dela”, explica Lívia. “É preciso ainda evitar os muitos pontos de luz atrás, pois isso chama muito a atenção na imagem. Deve-se procurar um fundo mais escuro, mais verde e evitar o céu e o contra luz, que tiram a nitidez da fotografia”, ensina.

Pica-pau-de-banda.

Em Minas Gerais

Um instante de grande emoção no ‘birdwatching’, na opinião dela, é quando uma nova espécie é avistada — para um observador de pássaros, um avistamento pela primeira vez é conhecido como ‘lifer’. Outro momento “gratificante, feliz” é quando se consegue distinguir o cantos das espécies.

Em Minas Gerais, os lugares preferidos de Lívia Rebehy Queiroz para fazer de sua fotografia uma expressão de arte — além de um cântico de amor ao canto dos pássaros e, por extensão, à plenitude da  natureza — são o Santuário do Caraça, a Serra do Cipó e, é evidente, a terra natal Patrocínio. “O cerrado mineiro é muito rico em espécies”, diz ela, que completa: “eu quero conhecer, muito em breve, o Vale do Jequitinhonha e o Parque Estadual da Lapa Grande” — localizado a 12 km de Montes Claros.

Aqui, por enquanto — embora as viagens de Lívia Rebehy Queiroz ainda seguirão rumo aos muitos recantos, moradas das aves — as belas imagens esculpidas por ela desvelam os encantos do ‘avistamento’, um grande voo pelo imaginário do que se pode chamar de arte.

Juruva.

 

 

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