Brumadinho muito além do Inhotim

A sede de Brumadinho se formou em torno da Estação Ferroviária, construída em 1917. Foto Tom Alves

O Instituto Inhotim, o maior museu de arte contemporânea a céu aberto do mundo, é o principal atrativo turístico de Brumadinho. Porém, o município tem muito mais a oferecer para quem decide conhecê-lo. A grande potencialidade turística de Brumadinho está em toda parte: na gastronomia, na natureza, na história e nas pessoas.

Reportagem Marina Rattes/Fotos Tom Alves e Cezar Félix

São cerca de 40 atrativos turísticos no município, conforme levantamento inédito realizado pelo Programa de Fomento do Turismo Sustentável em Brumadinho. O programa, desenvolvido pela Vale em parceria com o Instituto Rede Terra, atua a partir da premissa de que fomentar o potencial turístico de Brumadinho e região é um caminho potente para diversificar a sua economia, gerar emprego e renda e diminuir a dependência da mineração.

O Inhotim é hoje um dos maiores atrativos turísticos do Brasil. Foto Cezar Félix

Com cinco projetos estruturantes — que abarcam o fortalecimento da governança turística, o incremento do turismo rural e de base comunitária, a diversificação da oferta turística local, a ampliação de mecanismos de financiamento na área e a reestruturação do calendário de eventos turísticos — o programa vai trabalhar diretamente com os empreendedores da região durante os dois próximos anos. O objetivo é que Brumadinho se consolide como um destino com ampla oferta de atrações, que vão bem além da visita ao museu de arte.

 

Mapa turístico.

Mapa turístico da região

As informações recém-levantadas deram origem ao primeiro mapa turístico da região, disponível em versão impressa e virtualmente pelo link https://turismobrumadinho.com/mapa-turistico-de-brumadinho/. O documento lista também 47 pousadas e hotéis e 44 bares e restaurantes para melhorar a experiência do turista. Ao reunir e sistematizar os principais atrativos das três microrregiões de Brumadinho, o mapa recém-lançado oferece ao visitante uma visão completa das potencialidades do município, incentiva seu deslocamento interno e favorece sua estadia por mais tempo.

Vista de final de tarde no relevo predominante no município. Foto Cezar Félix

O material foi elaborado de forma colaborativa e contou com a participação de representantes de 16 conselhos e associações municipais que compõem a Comissão de Organização do programa. “Ninguém melhor que os próprios moradores e empresários da região para indicarem o que há de melhor em Brumadinho. Eles têm uma relação diferente com esses lugares, pautada muitas vezes pela memória afetiva. O mapa é uma forma de compartilhar esse olhar e todas as riquezas do município com os turistas”, conta Daniele Teixeira, responsável técnica pelo projeto na Vale.

A diversidade de Brumadinho, inclusive a natural, se espalha por seus 639 km² de território. Foto Cezar Félix

Vivências no município

A diversidade de Brumadinho se espalha por seus 639 km² de território. Vivências no município possibilitam conhecer a cultura e tradições populares da região, interagir com ateliês de cerâmica de artistas renomados, visitar comunidades quilombolas com forte identidade, ter experiências gastronômicas únicas com comidas típicas e contemporâneas, e degustar bebidas artesanais que são um mergulho na tradição e inovação presentes no município.
No centro da cidade, a Estação Ferroviária, que data de 1917, conta um pouco da história local. Em torno da construção, formou-se um povoado que, em 1938, foi elevado a sede do município. Tombada pela prefeitura, é hoje um dos cartões postais da cidade

Negro por Negro, grupo de música e dança das Comunidades Quilombolas de Brumadinho, com referência em ritmos percussivos. Foto Hectory Duarte – Instituto Rede Terra/Divulgação

A riqueza histórica de Brumadinho também vem de suas comunidades tradicionais. Há poucos quilômetros do centro, ficam os quilombos Marinhos, Rodrigues, Sapé e Ribeirão. Com cerca de 300 anos, eles resistem em suas vivências coletivas, na religiosidade, na música, na dança e em suas organizações sociais comunitárias. O primeiro a ser formado foi o Marinhos, com seu artesanato expresso em bonecas e bolsas. Em Sapé, a tradição é o bordado; em Rodrigues, os grupos de dança e música; e em Ribeirão, doces, bolos e bordados. Um patrimônio das comunidades quilombolas de Brumadinho são as irmandades e as Guardas de Congado e Moçambique — peças centrais nos seus tradicionais festejos religiosos, musicais e culturais.

Vocações para o turismo de aventura e e ecoturismo.

 Turismo de natureza

Para quem gosta de turismo de natureza, Brumadinho é um prato cheio. Conhecida por atrair amantes de esportes de aventuras como voo livre, trekking e ciclismo, a região abriga importantes áreas preservadas, a exemplo do Parque Estadual da Serra do Rola Moça, com seus 4 mil hectares de natureza exuberante e uma rica biodiversidade constituída por uma série de espécies da fauna, como o lobo-guará, onça parda, cachorro-do-mato, veado campeiro e o carcará; e da flora, como a canela-de-ema, várias espécies de orquídeas, bromélias e cactáceas. O Parque guarda ainda seis mananciais, trilhas e mirantes.

A Serra da Calçada estende-se por cerca de 8 quilômetros entre os municípios de Brumadinho e Nova Lima. Foto Cezar Félix

Outra opção interessante é o Monumento Natural Serra da Calçada, que ganhou esse nome por preservar em alguns trechos calçamento original do século XVIII. Entre as ruínas remanescentes na região, estão a fábrica de São Caetano da Moeda Velha e o complexo minerário Forte de Brumadinho, ambos tombados pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG) em 2008. Com cerca de 8 km de extensão, ele é perfeito para diversos tipos de atividades. O professor Felipe Nunes conta que fez sua primeira trilha na Serra da Calçada ainda na adolescência e que hoje frequenta o lugar com sua família. “Lá é maravilhoso e bem preservado. Além disso, é versátil, posso fazer uma infinidade de coisas, como caminhadas curtas com meu filho de quatro anos, caminhadas longas com ou sem cachoeiras, trilhas de mountain bike leves ou pesadas”, conta.

Topo do Mundo: um dos mais importantes e concorridos destinos para o voo livre. Foto Cezar Félix

Topo do Mundo e Casa Branca

Um pouco mais adiante, a Serra da Moeda ostenta uma das paisagens mais majestosas e exuberantes do estado. Um de seus pontos mais conhecidos é o Topo do Mundo. A rampa natural com 500 metros de desnível é a principal base para salto de parapente na região de Belo Horizonte, conta Hugo Matias Resende de Almeida, que pratica voo livre há dez anos. “O visual é fantástico. É possível voar a 2 mil metros acima da rampa, sobre lugares maravilhosos como a Lagoa dos Ingleses. Em algumas épocas do ano é possível fazer voos de quase duas horas, até o pôr do sol”, explica.

Arvorismo no povoado de Casa Branca. Foto Cezar Félix

Casa Branca é um povoado situado no entorno do Parque Estadual do Rola Moça. Graças ao seu relevo montanhoso e agradável clima, é ideal para a realização de esportes de aventura, caminhadas ecológicas, passeios de bicicleta. No Verde Folhas Espaço de Aventuras, o visitante encontra boas acomodações, diversão, contato com a natureza e muita adrenalina. Inserido em uma mata de galeria com acesso a cachoeiras, o espaço oferece atividades como arvorismo, escalada, tirolesa e trapeloco.


A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade, no distrito de Piedade de Paraopeba, é uma das mais antigas de Minas Gerais. Foto Tom Alves

Serra da Moeda

A região da Encosta da Serra da Moeda, por sua vez, é o destino perfeito para quem busca sossego e tranquilidade, mas não abre mão de boas experiências gastronômicas. Nos pequenos lugarejos, praças e igrejas centenárias se misturam a cervejarias artesanais, bistrôs e restaurantes das mais diversas especialidades. Na pacata Piedade do Paraopeba, de apenas 3,5 mil habitantes, a Matriz de Nossa Senhora de Piedade encanta os visitantes. Datada de 1713, é uma das igrejas mais antigas de Minas Gerais, considerada o maior símbolo histórico-cultural e religioso do município. Exemplo da arquitetura colonial setecentista mineira, a construção remonta à origem da ocupação do distrito, no final do século XVII.

Vista da encosta da Serra da Moeda.

Para comer e beber, opções inusitadas agradam paladares exigentes. É o caso da Tonini Charcuteria Artesanal, com seus originais pratos à base de embutidos servidos em um charmoso container; ou da Cachaçaria Itinerante, que apresenta aos convidados uma imersão no universo da cachaça envolvendo histórias, degustação, drinks e pratos da gastronomia molecular. Também vale conhecer os pratos árabes do Ateliê do Abrahão e a comida rural e mineira do Rancho do Peixe.

A Tonini Charcuteria Artesanal serve pratos originais a base de embutidos. Na foto, capeletti com recheio de charcutarias, velouté de cogumelos e pancetta laqueada em cachaça de alecrim. Foto Marcelo Belém – Instituto Rede Terra/Divulgação.

Cerâmica e artesanato

A região é conhecida ainda como um reduto das artes. São inúmeros os ateliês de cerâmica e artesanato — muitos deles referência no estado. É o caso do Saracura Três Potes, dos premiados artistas José Alberto Bahia e Jéssica Martins, que transformam cascas e sementes da flora brasileira em cerâmica; e do Xakra88, peculiar ateliê comandado pelo ceramista alemão BenediktWiertz.

As cerâmicas do Ateliê Saracura Três Potes são feitas a partir de cascas e sementes da flora brasileira. Foto Tom Alves

 

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