Aventure-se por todos os caminhos

Aventure-se por todos os caminhos

Na Estrada Real existem muitas possibilidades para aventureiros de todas as categorias. Comece uma aventura pela região de Petrópolis (RJ), onde encontram-se exuberantes exemplos da rica diversidade natural do Caminho Novo — como as serras dos Órgãos e da Estrela, que encantaram Dom Pedro I no século XIX.

O Parque Nacional da Serra dos Órgãos atrai também os amantes do ecoturismo e da natureza bruta, é claro. São mais de 11.000 hectares de terras que englobam vários municípios. A sede principal encontra-se na vizinha cidade de Teresópolis. Para os apaixonados pelas alturas, o ponto culminante é o Pico do Sino, com 2263 metros, que exige bastante esforço físico na trilha de 12 quilômetros. O segundo mais alto é o Dedo de Deus (1682 metros). Vários outros pontos parecem alcançar os céus; afinal, no parque estão algumas das maiores vias de escalada do país — assim como imensos morros que revelam a exuberante e rara flora da floresta pluvial atlântica.

Para refrescar não faltam cachoeiras e poços. A cachoeira Véu da Noiva revela o poder de suas águas numa queda de 40 metros. Já o poço Paraíso é para quem busca um recanto de lazer bem acessível: com apenas 15 minutos de caminhada desde a entrada do parque é possível deparar-se com um poço cristalino, rodeado por lindas bromélias.

Mesmo além do Parque Nacional as trilhas que seguem pelo Caminho Novo oferecem muitas opções para os apaixonados pelos esportes de aventura: rafting no Rio Paraibuna, cavalgadas ecológicas que cruzam várias fazendas e trekking na Reserva do Tingá — uma reserva biológica de 26 mil hectares que abrande seis municípios do estado do Rio. Para ciclismo e mountain bike, existem trilhas de todos os níveis de dificuldades em meio a um incrível cenário de belezas naturais. Vá preparado para ver o que você nunca viu e entrar em uma verdadeira comunhão com a natureza. Lembre-se de procurar os guias locais, assim você não se perde e ganha tempo para ver tudo que é preciso admirar.

Outro recanto imperdível é o Parque Estadual do Ibitipoca, um verdadeiro paraíso ecológico localizado na Serra da Mantiqueira, em Conceição do Ibitipoca (cujo nome vem do tupi-guarani e significa “montanha que estala”). O Ibitipoca também oferece excelentes opções para os ecoturistas. O belo Roteiro das Águas, mais próximo, é repleto de poços, tem área de camping, lagos e uma queda de 30 metros — a Cachoeira dos Macacos. Já o roteiro Janela do Céu é o mais longo e o mais procurado. Após sete quilômetros de trilha, surgem as sete impressionantes quedas da cachoeira Janela do Céu. A outra opção é o roteiro do Pico do Pião: são cerca de cinco  quilômetros que englobam grutas e ruínas. A recompensa fica por conta da vista privilegiada do alto do Pico.

Para os apaixonados por automóveis em trilhas, acontece desde 1994 o circuito Ibitipoca ‘Off Road’: aventura abençoada pelos cenários que se apresentam ao longo das estradas de terra.

A rica fauna do local é impressionante: jaguatirica, onça parda, porco-do-mato, mico estrela, dentre outras raras espécies vivem livres dentro dos limites do parque. Sarah Pacheco, psicóloga, 29 anos, e moradora de Belo Horizonte, relata que ficou impressionada com a organização e preservação do Ibitipoca. “O parque tem uma estrutura muito boa. As trilhas são bem sinalizadas, muito limpas e o limite diário estipulado de visitantes ajuda a preservar o parque.” Outro ponto importante levantado por Sarah é a boa acessibilidade do local para deficientes e gestantes, uma vez que é permitida a entrada de carro em casos especiais. Estudantes são bem vindos, pagando meia entrada no acesso.

Outro turista apaixonado pelo Ibitipoca é o músico carioca Rodrigo Araújo, 33 anos, visitante assíduo do parque: “venho sempre que posso, faço questão de educar os meus dois filhos — gêmeos de cinco anos de idade — em permanente contato com a natureza”. Rodrigo conta que soube da existência do Ibitipoca por meio da Estrada Real. “Fiquei muito impressionado com este projeto desde o seu início. Como o meu pai é profissional de turismo, e eu fui criado na Europa até os meus 22 anos, inclusive viajando por todos os cantos, posso garantir que este é o trabalho mais incrível já realizado em favor do turismo brasileiro”.

Quem se hospeda nas históricas fazendas de Santana dos Montes e região, não pode deixar de percorrer as trilhas que ligavam as propriedades. No caminho por onde passou tanto ouro, hoje predomina o sossego — o único barulho que se ouve é o estrondo provocado por quedas d’água nas cachoeiras. Para os aventureiros, o Pico da Paciência com 1.097 metros de altitude, oferece vista mais do que privilegiada. Cachoeiras e trilhas também são fartas nos distritos  de Lavras Novas, Chapada e Itatiaia, vilarejos mineiros que reservam  surpresas como alguns recantos naturais ainda praticamente intocados.

Caminhada pelo Espinhaço

Por estar situada no meio da Serra do Espinhaço, o caminho diamantino é circundado por uma paisagem fascinante e diversificada: rios, nascentes cachoeiras, grutas, picos e vales enriquecem o cenário. Ali está o Parque Nacional das Sempre-Vivas, onde localizam-se as principais nascentes de dois importantes rios, o Jequitinhonha e o São Francisco. O nome refere-se às variadas espécies de sempre-vivas, pequenas flores, de cores vibrantes e variadas, encontradas na região. Para os amantes de uma boa caminhada, a dica é conhecer o incrível Caminho dos Escravos da Serra do Espinhaço — trajeto onde circulava ouro e diamante em abundância.  O caminho é formado por grandes pedras que foram carregadas pelos escravos; um belíssimo registro da história, de um tempo de luta e superação.

Vanessa Rodrigues, gestora de projetos, 30 anos, conta as suas aventuras pela Estrada Real. Ela fez à pé o percurso entre São Gonçalo e Diamantina até chegar  no Parque Estadual das Sempre-Vivas — um desafio. A dica é levar mantimentos, muita água e preciso estar com preparo físico em dia, pois há muitas partes do trecho sem lugar para pouso. Em outra viagem, ela fez foi de Belo Horizonte até Milho Verde, desta vez de carro e com calma, pois parounas cidades do percurso, sem planejar, apenas seguindo as indicações. “É muito legal iniciativa do projeto Estrada Real. As placas de indicação e os totens ajudam muito a se localizar pelo caminho”, elogia. Vanessa chegou a se hospedar em casas de moradores, pelo projeto Hospedagem Solidária, que, na sua opinião, poderia ser mais explorado. “Ao ficar na casa das pessoas conversamos muito e aprendemos mais sobre a história dos lugares. Este tipo de informação tem a capacidade de conscientizar as pessoas e, consequentemente, colaborar para a preservação desses locais”.

A Estrada Real é mesmo palco de aventureiros e amantes da natureza. Josimar de Souza, nascido em Diamantina, onde hoje trabalha na pousada Pouso da Chica — situada em um belíssimo casarão — é também guia de ecoturismo. Ele diz que além do centro histórico da cidade, há muito o que se explorar ao redor. Diamantinense orgulhoso, ele fala com propriedade da cidade e da região. Josimar lembra que a revitalização de Biribiri foi muito importante, mas o caminho para chegar à vila é também relevante — uma estrada de terra tão querida por trilheiros, com cachoeiras e poços exuberantes ao dispor dos viajantes. “Quem busca a Estrada Real, busca aventura, terra, trilhas”, afirma.

Para que deseja de renovar as energias, coloque o pé na estrada e descubra algumas das incontáveis cachoeiras existentes ao longo do maciço do Espinhaço. Os destaques vão para as cachoeiras da Sentinela, das Fadas, dos Cristais, da Toca e das Três Quedas — esta última, com 70 metros de altura. As cascatas formam piscinas e poços de águas cristalinas, perfeitas para banhos.

No município de Conceição do Mato Dentro, a cerca de 140 km de Diamantina, está o Parque Natural Municipal Ribeirão do Campo, onde fica a famosa (e fabulosa) Cachoeira do Tabuleiro, a queda d’água mais alta de Minas Gerais que, com 273 metros de queda livre, é a terceira maior do país.

Cicloturismo

Uma viagem pela Estrada Real entre de Diamantina e Paraty é uma grande aventura, de puro encantamento. Foi o que fez o publicitário Fernando Resende, de 32 anos, de bicicleta e mochila nas costas, acompanhado por uma amiga.

O roteiro foi todo planejado antes da viagem, inclusive as hospedagens. Fernando conta que usou os roteiros disponibilizados pelo Instituto Estrada Real, mas fez algumas adaptações para fugir de trechos de asfalto. A busca era mesmo por adrenalina. “A viagem foi incrível. Foram 18 dias de muito frio, pneus furados, fotos, poeira, enfim… Sensacional. 1.114,8 quilômetros pedalados, mais de 27.000 metros de ascensão acumulada, mais de 43.000 calorias queimadas e inúmeras gargalhadas.” Por garantia, levou um GPS que disse ser de muita ajuda, principalmente para quem não conhece o trajeto. Sobre a Estrada Real, ele compara o roteiro ao Caminho de Santiago de Compostela: “a iniciativa é muito relevante, por isso quanto mais divulgação melhor”. Para quem deseja  encarar a viagem, Fernando recomenda: “Indicaria demais! Até quero fazer de novo, em breve. Pelo desafio, pelas paisagens lindas, pela hospitalidade das pessoas e pelos atrativos.”

Um outro universo da natureza

O Parque Nacional da Serra do Cipó constrói um capítulo à parte sempre que a referência for a grandiosidade da natureza. A biodiversidade da Serra do Cipó é uma das mais importantes do mundo. Destaque para os raríssimos campos rupestres ou campos de altitude, ecossistemas exclusivos de altitudes acima dos 900 metros. É ainda o ecossistema que abriga as maiores variedades de espécies endêmicas do planeta.

No alto do Cipó, no Caminho dos Diamantes, existem maravilhas como as sempre-vivas, as fantásticas canelas-de-ema-gigantes (que podem atingir seis metros de altura e um metro de circunferência no tronco), bromélias, margaridas, cactos, ipês, quaresmeiras e inúmeras espécies de orquídeas — inclusive espécies de mais de 500 anos de existência.

A multiplicidade de espécies vegetais é tão grande que a região fica permanentemente florida, em todas as estações do ano. Além do mais, com seus 35 mil hectares, é considerada um dos maiores laboratórios ao ar livre do mundo, um sonho para os biólogos e para os botânicos.

Essa imensa riqueza é um atrativo turístico sem precedentes e não passa despercebida aos turistas. “É absolutamente espetacular, não há nada igual”, encanta-se a bióloga paulistana Fernanda Jabber, 32 anos. Ela conta que nas suas visitas à Serra do Cipó, muitos profissionais de sua área são parceiros nas aventuras voltadas para a realização de pesquisas ao longo dos altos campos. “O turismo científico está em crescente expansão”, diz ela. “Não tenho dúvidas de que com a excelente fama da Estrada Real, a tendência é que ocorra um crescimento exponencial do turismo; eu já percebo isto a cada temporada que venho aqui”. No entanto, ela alerta que é essencial que haja “uma organização sustentável” da atividade turística.

Outra modalidade de turismo em expansão na Serra do Cipó é a modalidade “observação de pássaros”, o ‘birdwatching’. Isso porque é grande a variedade de aves neste paraíso encravado no Espinhaço. “Não vejo a hora de viajar para a Serra do Cipó, conto os dias”, diz o jornalista e escritor inglês Michael Cahill, um apaixonado pelos pássaros. Indagado sobre a Estrada Real, ele respondeu de pronto: “É uma rota extraordinária; tomei conhecimento de sua existência há três anos, faço muitas pesquisas sobre o roteiro e vou explorar os seus atrativos, não tenha dúvida”! “Afinal, passo seis meses por ano aí nestas maravilhosas Minas Gerais”, finaliza.

A Serra do Cipó também é dona de um manancial impressionante de ofertas para o ecoturista e o turista de aventura. As cachoeiras de estonteante beleza se sucedem: Grande, Véu de Noiva, Serra Morena, Lajeado, Bicame, Farofa. Lugares impressionantes como a Lapinha da Serra, o Travessão e o Caniôn das Bandeirinhas. Sem contar o irresistível rio Cipó.

Privilégio é conhecer esse verdadeiro éden de Minas Gerais. É justamente por suas características naturais únicas que proliferam as melhores opções de esportes de aventura. As práticas de tirolesa, canoagem e a rafting, por exemplo, são bem comuns no rio Cipó. Os picos de escalada são famosos em todo o país e no exterior assim como o cicloturismo e o trekking.

O fascínio das cavernas

A Estrada Real é tão diversificada que há opções de aventura até embaixo da terra. A Gruta do Salitre, em Diamantina, tem cânions de pedra que dividem a caverna em vários salões — o maior tem 64 metros de largura e cinco metros de altura. A gruta de Maquiné é outra que impressiona.

Localizada na cidade de Cordisburgo, a 120 km de Belo Horizonte, a caverna, descoberta em 1825, é considerada o berço da paleontologia brasileira e possui sete salões com belíssimas formas arquitetônicas, esculpidas pelo trabalho da água durante milênios. Já em Mariana é possível visitar uma antiga mina de ouro, a Mina da Passagem, a maior aberta em exposição no mundo — são incríveis 120 metros de profundidade.

O Parque Natural do Caraça, já citado por sua importância histórica, é também um santuário natural transformado em Reserva Particular de Patrimônio Natural, oque ocorreu em 1990. São muitas opções de lazer: de agradáveis caminhadas a banhos em deliciosas piscinas naturais. Para os amantes da escalada, a opção é o Pico do Inficionado, com 2.046 metros de altitude, que é alcançado com cerca de cinco horas de caminhada. No pico, há a Gruta do Centenário a mais profunda do mundo em formação quartzito. A Cascatona, como o próprio nome sugere, é uma imponente cachoeira com 80 metros de queda d’água. Seu acesso é feito por uma trilha bastante arborizada, sendo comum esbarrar com esquilos, macacos e aves ameaçadas de extinção, além de endêmicas da região.

Trilhas desbravadas

A principal referência do lugar por onde escorria em aluvião o “ouro preto” é o Pico do Itacolomi — ou “pedra menina” em tupi-guarani. Por ser o ponto mais alto da região, com 1722 metros de altitude, tornou-se conhecido pelos viajantes que buscavam as minas de ouro como “Farol dos Bandeirantes”.

O pico e seus arredores integram o Caminho Velho da Estrada Real e estão preservados desde a criação do Parque Estadual do Itacolomi, em 1967, entre os municípios de Ouro Preto e Mariana.

Fazer uma trilha no parque é entrar em contato com a natureza de maneira íntima. Macacos, micos, tatus e capivaras são alguns dos animais surgem pelas trilhas locais. Quem tem sorte pode encontrar lobo-guará, ave-pavó e até onça-parda, espécies que estão extinção, em seu habitat natural. Tudo isso cercado pelas belezas da vegetação que inclui canelas-de-emas e sempre-vivas. Quem quer chegar ao cume do Pico do Itacolomi precisa  saber que a trilha é de dificuldade média e algumas encostas são muito íngremes.

Devido ao grande afloramento de águas e rochas, é natural que a região seja rica também em algo que os turistas adoram: cachoeiras. Em São Bartolomeu, distrito de Ouro Preto, a queda d’água que leva seu nome tem 45 metros de altura. É ideal para a prática de escaladas e rapel, seja para iniciantes ou para profissionais. O local possui uma pequena gruta com uma imagem de São Bartolomeu feita em pedra sabão. Muitos fieis costumam rezar para o santo no dia 28 de agosto, em festa dedicada a ele. A cachoeira está cercada por uma exuberante Mata Atlântica, apesar de o Cerrado predominar na região,.

A poucos quilômetros dali está Cachoeira do Campo, também distrito de Ouro Preto. O nome diz do maior atrativo natural da cidade. A linda cachoeira, que antigamente se chamava Dom Bosco, tem uma faixa de areia e pedras onde se pode sentar e descansar, além de banhar nas suas águas geladas.

A galope pela estrada

Andar a cavalo era uma maneira rápida de se locomover entre as cidades da Estrada Real. Ainda hoje, as facilidades em se ter um cavalo são muitas quando o assunto são travessias de média ou longa distância. Curioso é saber que duas raças surgiram em cidades da Estrada Real. Uma delas é o cavalo Campolina, que nasceu no município de Entre Rios de Minas.

O Campolina foi resultado do cruzamento de diversas raças, entre eles o Mangalarga Marchador, um cavalo que também se originou no Caminho Velho da Estrada Real. Ambas as raças tem como principal característica a   resistência para o trabalho no campo e por proporcionar comodidade para o cavaleiro em função do andamento marchado, ou marcha. Gabriel Junqueira, o Barão de Alfenas,  proprietário da Fazenda Traituba, em Cruzília, foi o pioneiro na seleção dos cavalos marchadores, que posteriormente originou o cavalo Mangalarda Marchador.

A cidade de Cruzília tornou-se então um polo na criação de cavalos da raça. Além da Fazenda Traituba — que apesar de desativada, ainda pode ser visitada — o município conta com as fazendas Favacho, Engenho de Serra e Campo Lindo. “Vem muita gente visitar as fazendas. Semana passada veio uma equipe filmar os cavalos para mostrá-los em um leilão em Belo Horizonte e hoje vamos levar um potro para vender”, conta Ailton, funcionário da Fazenda Campo Lindo, do alto do seu belo cavalo castanho. Os animais são parte fundamental do crescente turismo de negócios, pois muitos compradores visitam as fazendas em busca dos melhores animais.

Ailton lembra que a fazenda também recebe  muitos turistas, alguns deles passam pela cidade seguindo o caminho da Estrada Real. “Normalmente recebemos grupos. Eles agendam com antecedência e quando chegam aqui conhecem a fazenda e a história dos cavalos em Minas”. Ano passado, os fazendeiros receberam um grupo de estrangeiros. “Uma das alemãs era médica veterinária e até montou em um dos nossos cavalos”.

Sob os domínios da Serra de São José

O verde das árvores se estende por alguns quilômetros até se encontrar com o paredão que marca a imponente Serra de São José, com uma altitude que chega a 1300 metros.

O local sempre foi uma referência para os exploradores no período da corrida pelo Ouro, no trajeto do Caminho Velho. Nessa época, já se falava da sua grandiosidade e, claro, da sua beleza. Nos seus 12 quilômetros de extensão sobrevivem e raras espécies da flora e da fauna e afloram muitas nascentes. Os maiores conhecedores da serra são os habitantes da cidade de Prados, que fazem passeios até o cume desde o longínquo ano de 1868: após a caminhada, todos se reúnem para um piquenique com vista panorâmica. Esta tradição fez a cidade ser conhecida como a primeira que promoveu um passeio ecológico no Brasil.

Vale lembrar que desde 1981, a serra está protegida por lei por meio da criação da área de proteção ambiental/APA São José.

Uma das vistas mais bonitas da Serra de São José talvez seja a que existe a partir da cidade de Tiradentes. Da varanda do Centro Cultural Yves Alves ou do pátio da Igreja Matriz de Santo Antônio é possível ter, em um só campo de visão, a imagem das belas casas brancas de janelas coloridas do período colonial, a vasta vegetação que mistura Mata Atlântica e Cerrado, e as rochas que formam a paisagem. Também é possível subir a Serra desde Tiradentes e realizar uma série de circuitos a partir dali. Algumas agências de turismo de aventura oferecem roteiros que podem ser feitos com Jeep 4×4 ou bicicletas. Roteiros com a utilização de cavalos Campolina e Mangalarga Marchador como montarias também podem ser solicitados. Guias especializados orientam o passeio e ensinam como lidar com os animais.

Ao analisar a relação entre a Estrada Real e o desenvolvimento do turismo na região, o empresário Wellerson Cabral, 38 anos, proprietário da Pousada Maria Barbosa, em Tiradentes, é taxativo ao afirmar que é fundamental “explorar a marca Estrada Real como um diferencial de qualidade”. Ele conta que registra um grande aumento no número de turistas que fazem cavalgadas entre Ouro Preto e Tiradentes e de Tiradentes a Paraty. “Recebo muitos hóspedes que gostam de percorrer esses trechos”. Wellerson diz que também cresce o número dos cicloturistas, porém, ele cobra “um maior incremento na venda da marca Estrada Real”.

Cenário de sonhos

Carrancas, esta pequenina cidade no sul do estado de Minas Gerais, ganhou fama e já pode ser considerada polo turístico da região. Com uma vegetação bem preservada e cachoeiras deslumbrantes, o município chama a atenção de brasileiros, de estrangeiros e até da televisão, como é o caso da TV Globo, que já usou suas belas paisagens como cenário das novelas Alma Gêmea (2004), Paraíso (2009) e Amor Eterno Amor (2012).

Carrancas apresenta um conjunto de mais de 70 cachoeiras, um deslumbramento para os turistas. A Cachoeira da Fumaça — que ganha esse nome devido ao vapor de água que sobe pela força de suas quedas —  é o cartão postal da cidade e um dos atrativos mais visitados. O complexo da Zilda, que inclui cachoeira, poço e até um escorregador de pedra onde crianças e adultos se divertem, também é parada obrigatória. O Poço do Coração é como uma piscina de águas esverdeadas que surpreende por ter o formato do símbolo dos apaixonados.

Bonito mesmo é ver tudo isso de cima. “Carrancas é um ótimo lugar para voar. A rampa é muito segura e a região tem um visual lindo, cheia de cachoeiras. Dá até para pousar em algumas delas”, explica Marcelo Otto Penido, 38 anos, advogado e instrutor de voo livre. Ele dá aulas na região há dois anos e meio e diz que a Estrada Real contribui muito para o turismo na cidade, principalmente a modalidade de aventura.

A opinião é compartilhada por Lúcio Casagrande, proprietário do Café.com, no centro da cidade: “Vem muita gente fazer mountain bike e trilha de MotoCross. Quem faz isso pela região obrigatoriamente passa por Carrancas”. E engana-se quem acha que o local só comporta os mais jovens. Lúcio vê uma grande procura por parte de famílias. “São famílias da aventura, que percorrem as trilhas da Estrada Real com veículos 4×4, inclusive senhores de idade”, conta. Desde que o projeto Estrada Real foi lançado, a família da arquiteta Isabela Prates, 25 anos, se aventura pelo interior de Minas Gerais. “A gente já foi a vários lugares a passeio, mas há quatro anos meu pai comprou um Jeep para percorrer os caminhos pela estrada de terra”. Foi assim que eles conheceram não só as cidades que fazem parte do percurso como também uma série de lindos e encantadores distritos e vilarejos. “A Estrada Real é uma ótima forma de valorizar as cidades. As pessoas investem para receber os turistas”, argumeta.

Para além das águas

Não faltam turistas nas cidades que compõem o Circuito das Águas de Minas Gerais, que passa pelo Caminho Velho da Estrada Real. Atraídos pelas propriedades dos recursos hídricos, as pessoas que visitam o roteiro aproveitam a viagem para descansar e apreciar o clima da região, hospitaleira como poucas. Mas existem muitas opções além das visitaseco aos parques e fontes de água mineral.

Baependi é o expoente do turismo de aventura na região, além do turismo religioso graças à Santa Nhá Chica. A cidade apresenta mais de 50 cachoeiras, entre elas a quarta maior do Brasil: Cavalo Baio, com 215 metros de altura. A nascente fica a mais de 2200 metros, no Parque da Serra do Papagaio. O cânion que se forma ali proporciona a maior descida de rapel do país, com 1050 metros contínuos.

A união entre beleza natural e esporte também toma forma na Serra do Careta. O local é muito procurado para fazer travessias apesar de ser relativamente novo (aberto em 2000). Os amantes do trekking podem fazer a travessia entre a Serra do Careta até o Pico do Papagaio. São três dias de caminhada e é preciso estar preparado com equipamentos para acampar. No caminho, enormes cachoeiras, picos com mais de 2000 metros de altura e paisagens estonteantes.

Os amantes das alturas têm um encontro marcado com Passa Quatro. A cidade é tão alta que chega a registrar severas geadas durante o inverno. Mas o município é só o ponto de partida. Um dos destinos mais procurados pelos caminhantes é a Pedra da Mina: com 2798 metros de altitude, é o 4º pico mais alto do Brasil. Amanhecer na barraca com o sol pintando o céu de azul, rosa e amarelo é privilégio para poucos.

O turismo rural também cresce nas redondezas. O principal atrativo é a pesca de trutas. Essa espécie de peixe, que só se reproduz em rios de águas gélidas e em perfeitas condições ambientais, encontra as condições ideias em Passa Quatro. Quando começa a temporada de pesca, os criatórios soltam milhões de peixes.

Outro local que proporciona a pesca esportiva é Itamonte. A Volta dos 80, uma rota de quase 80 quilômetros, passa pelas ruínas de uma antiga represa e pela Usina de Braga, além de cruzar alguns rios cercados por muito verde. Os grupos de ciclistas são numerosos por ali, assim como o de pescadores.

Os rios convidam o turista à prática de boia-cross, que consiste em descer cursos d’água de média dificuldade em boias redondas. Os praticantes de rafting — que se diferencia por ser realizado em botes com remos e por exigir a presença de um profissional — podem se divertir muito.  Enquanto as corredeiras ditam o ritmo do passeio, os viajantes aproveitam a bela paisagem ao redor, como a vista da Pedra do Picu, um importante ponto referência geográfica daquelas terras altas.

Serra da fé

De longe avista-se uma grande montanha, imponente, brilhante. Assim é a Serra da Piedade, no Caminho de Sabarabuçu, município de Caeté. Com seus 1751 metros de altitude, a serra é perfeita a prática de esportes de aventura.

No ponto conhecido como Duas Torres, os mais corajosos esperam passar o vento para praticar Highlilne: com um fio elástico em cada uma das pontas das pedras que compõe a serra, atravessam o vão livre na base do equilibro e da concentração. Outra possibilidade é o trekking. Muitas pessoas realizam o percurso movidas pela fé: no alto da montanha está o Santuário de Nossa Senhora da Piedade, padroeira de Minas Gerais. Todos os anos o local atrai milhões de fieis.

Mas a serra é só um dos atrativos de Caeté. Com grande tradição no arvorismo, lá existem sete circuitos planejados para os que querem observar a natureza da copa das árvores. E para relaxar, nada melhor que um banho na linda Cachoeira de Santo Antônio, no distrito de Morro Vermelho.

Se a Serra da Piedade foi o mote para trilhar o Caminho de Sabarabuçu no século XVII, o Rio das Velhas foi o fio condutor. Seria impossível a permanência dos bandeirantes em grande parte das cidades se não houvesse a água desse e de tantos outros cursos d’água que passam pelas curvas das montanhas e chegam à população.

Nesse caminho, as águas formam belas paisagens, como o conjunto de cachoeiras de São Sebastião das Águas Claras, distrito de Nova Lima, também conhecido como Macacos — uma das versões diz que esse era o nome que os bandeirantes portugueses davam as contrabandistas de ouro. O caminho que leva à Cachoeira Central é ótimo para a prática de caminhadas e a Cachoeira do Dantês é indicada para a prática do rafting, devido ao percurso sinuoso. Quem quiser descansar pode aproveitar os poços das cachoeiras da Ponte, dos Mendes, sem se esquecer da Cachoeira dos Macacos, com uma queda d’água de 2 metros de altura.

As trilhas que levam ao distrito não servem só aos caminhantes. “Nos fins de semana vejo turmas enormes de motociclistas por lá”, conta Isabela Prates, 25 anos, arquiteta em Belo Horizonte. É lá que os aventureiros se encontram depois de um dia recheado de ação. As estradas de terra da região são bastante visadas pelos amantes de Motocross. “Além do clima agradável que o vilarejo de Macacos tem, o relevo é bem propício para a prática do esporte. Sem falar no visual”, explica Renato Zanon, 26 anos, construtor comercial. As trilhas Tapete Branco, Corcovas e Perdidas são boas pedidas.

Quando se fala de preservação na Estrada Real não faltam exemplos de matas e florestas protegidas por lei. O Parque Nacional da Serra do Cipó, o Parque Estadual do Itacolomi e o Parque Estadual do Ibitipoca, todos já citados, são alguns deles. Alguns municípios que integram o Caminho de Sabarabuçu estão dentro dos limites da Área de Preservação Ambiental Sul, ou APA-Sul. Com a sua criação, em 1994, foi possível proteger uma área de 170 mil hectares que abrange 14 municípios.

Rio Acima é um deles. A importância ambiental da cidade é tão grande que todo o seu território está dentro da APA-Sul. As suas águas são o principal atrativo. Os córregos seguem e formam lindas cachoeiras. A Cachoeira do Índio, formada por quatro grandes quedas, tem um total de 200 metros de diferença do ponto mais alto ao mais baixo. A Cachoeira do Viana cai pelos degraus da montanha e forma ótimos poços para banho. Já a Cachoeira Chicadona é disputada por turistas e por aventureiros: com 65 metros de altura, é perfeita para prática do rapel.

Bela e rara Serra da Gandarela

Espécies raras, vegetação abundante, grande potencial hídrico. A Serra do Gandarela é um verdadeiro santuário natural. Em 2009, diversas entidades se uniram para pedir ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade que fosse feito um estudo ambiental relativo à necessidade da criação do Parque Nacional da Serra da Gandarela. Entre razões estão a necessidade de preservação de exemplares raríssimos da flora e fauna e o fato de o local ser um dos principais aquíferos da região — responsável  por 45% das águas que abastece a região metropolitana de Belo Horizonte. Dentro da Serra está a maior área de Mata Atlântica, além de outros tipos de vegetação como as cangas, onde sobrevive várias espécies ainda não identificadas. A luta segue.

Altas pedaladas

Que tal ir tão alto a ponto de conseguir ver o Pico do Itacolomi, a Serra do Caraça e a Serra da Piedade de uma só vez? Essa é a visão de quem se propõe a subir o Alto do Cristo, um pico com 1179 metros de altura que descortina uma paisagem alucinante. O percurso, que integra o Caminho de Sabarabuçu, pode ser feito de várias formas. Muitas pessoas escolhem a bicicleta.

O Alto do Cristo é um tradicional ponto de encontro de quem pratica mountain bike. A Copa Inconfidentes é a segunda maior competição do gênero no estado de Minas Gerais e uma das suas três etapas acontece no pico, que fica no município de Itabirito. Outras competições também têm o local como cenário, devido as suas condições ideais para a prática do esporte.

Itabirito é uma cidade de relevo sinuoso e além do Alto do Cristo, oferece outros dois mirantes para os turistas. O Pico de Itabirito, com 1589 metros, é considerado uma das mais impressionantes formações rochosas de todo o país. Devido a sua riqueza mineral — é o único monolito no mundo constituído de hematita compacta — foi tombado, em 1989, pelo Patrimônio Natural Estadual. O Alto da Serra da Santa, com 1200 metros de altitude, também proporciona a visão de belas paisagens.

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