
Cânion do Lago de Furnas, o belo atrativo de Capitólio.
Passeios de barco pelo lindo Lago de Furnas, os impressionantes cânions e os complexos turísticos que abrigam várias cachoeiras, poços e piscinas naturais, são os atrativos consagrados de Capitólio — um destino já descoberto pelos turistas apaixonados pela natureza.
Por Cezar Félix (texto e fotos)
Tudo começou em 1958 com o início do projeto de construção de uma hidroelétrica no Rio Grande no local conhecido como “corredeiras de Furnas”. O Brasil vivia uma conjuntura de enorme demanda por energia elétrica durante o governo comandado por Juscelino Kubitschek. A perspectiva da época previa que a usina a ser construída seria responsável por mais de um terço de toda a energia gerada no país. Em 1961, teve início da construção da barragem no rio, e a consequente inundação de terras de 34 municípios da região. Formou-se então o reservatório de Furnas com cerca de 1.440 km² e um contorno (perímetro) que forma aproximadamente 3.700 km de margens. Não foi por acaso que o lago artificial passou a ser conhecido como “Mar de Minas”.

Crepúsculo no Lago de Furnas que tem cerca de 1.440 km², o “Mar de Minas”.
O fato é que com o decorrer dos anos mesmo tendo como prioridade a geração de energia — a Usina Hidroelétrica de Furnas tem uma capacidade instalada de 1.216 MW (megawatts) de energia elétrica —, o maior lago de Minas tornou-se um grande atrativo turístico.

Mesmo tendo como prioridade a geração de energia elétrica, o Lago de Furnas tornou-se um grande atrativo turístico. Foto Jean Yves Donnard.
Registros históricos
O munícipio de Capitólio, cuja origem remonta ao longínquo ano de 1800, navegou célere nesta potencialidade graças também à localização privilegiada e aos belos recantos esculpidos pela natureza existentes dentro dos seus domínios. A começar pelos cânions desenhados pelas águas de Furnas e pelas cachoeiras de águas cristalinas, além dos diversos poços e piscinas naturais quase transparentes.

Igreja Matriz de São Sebastião, datada de 1947.

O interior da Matriz possui doze colunas, representando os apóstolos.
Dos primeiros moradores portugueses lá estabelecidos por volta de 1830 à emancipação do município de Guapé em 1948, a história registra que no início do século XX, a localidade ficou conhecida como com o nome de Casa de Pedras, uma referência aos paredões rochosos. Depois, passou a se chamar “Arraial dos Cabeças” em homenagem a produtores rurais moradores na região que supostamente tinham cabeças muito grandes. Em 1920, ganhou o nome de Capitólio, cuja palavra do latim “capit”, que significa cabeça.
O município de Capitólio deu um salto no final da década de 1970 e passou a ser conhecido devido à construção (em 1978 pela empreiteira mineira Mendes Júnior) do empreendimento residencial Escarpas do Lago — atualmente é um bairro de alto padrão da cidade, embora muitos o confundam com um condomínio fechado. Lá está instalada a maior marina de água doce da América Latina.

O cânion é parte do atrativo turístico Mirante dos Canyons – Parque de Contemplação.
Cânions de Furnas
O trecho do Lago de Furnas que banha o município invade grandes paredões de pedra formando recantos de impressionante beleza e a praia artificial com uma uma área de lazer erguida no perímetro urbano. A natureza privilegiada do bioma Cerrado formou riachos e ribeirões que serpenteiam no terreno acidentado e rochoso esculpindo cachoeiras, poços e piscinas naturais de águas claras. O privilégio da ótima localização fez Capitólio ser considerada a cidade “rainha dos lagos”.

Turistas no Mirante dos Canyons.
Ao adentrar os paredões, o lago esculpiu uma formação conhecida como os Cânions de Furnas, hoje um dos grandes atrativos de toda a região banhada pelo Lago de Furnas. A enorme fenda é cercada por paredões de quartzito com até 80 metros de altura em alguns pontos. Mas a altura média varia entre 20 e 60 metros, sendo que no famoso mirante do cânion a estrutura rochosa chega aos 60 metros.

Os passeios de barco pelo lago são atrativos muito procurados pelos turistas. Foto Tamas Bodolay-Secult-MG/Divulgação.
A partir do porto do Rio do Turvo, também em Capitólio, lanchas e chalanas realizam passeios dentro das reentrâncias do complexo rochoso. O deslumbrante visual seduz o visitante que tem a opção de mergulhar nas águas azuladas do lago e ainda vai se encantar com as cachoeiras que deságuam no “Mar de Minas”.
Lá no alto, no mirante, foi criado o atrativo chamado Mirante dos Canyons – Parque de Contemplação, considerado o local mais visitado de Capitólio. O lugar conta com um ‘deck’ suspenso no “Mirante Clássico, o cartão postal de Capitólio”, como assinala o parque, que proporciona uma vista magnífica do cânion e do lago. O turista tem acesso a trilhas no meio dos campos rupestres e pode banhar-se nas piscinas naturais e nas cachoeiras.

Porto do Rio do Turvo.
Anexo ao Mirante dos Canyons existe o Parque Pauá, cujos atrativos principais são uma ponte pênsil de 100 metros de comprimento por 40 metros de altura; a prática do canionismo e um circuito de tirolesa com mais de 100 metros de altura sobre o cânion, em um percurso de ida e volta. Há a promessa para oferecer, em breve, passeios de caiaque e stand up paddle no lago e uma plataforma de rapel.

Lancha explora um dos recantos do lago. Foto Tamas Bodolay-Secult-MG/Divulgação.
Cenários paradisíacos surpreendentes
Além do lago “mar de Minas”, Capitólio revela cenários surpreendentes pela beleza. As quedas d’água formam recantos paradisíacos como as cachoeiras da Ilha, Cascatinha, Lagoa Azul e Vale dos Tucanos. A primeira cachoeira é um ponto muito agitado do município, principalmente nos finais de semana e nos feriados, uma vez que a melhor maneira de chegar lá é por meio dos barcos que chegam repletos de turistas e ancoram no bar flutuante chamado Porto Escarpas. O movimento é intenso até o pôr do sol, sempre admirado pelos visitantes. Vale a pena também aproveitar as águas límpidas que escorrem pelas rochas e caem diretamente no lago.

Entardecer no Lago de Furnas.
Na Cascatinha é possível chegar de lancha ou de chalana e também seguindo pela estrada. Quem chega navegando assiste a queda d’água que também cai no lago, um cenário encantador. Já quem acessa pela estrada aproveita os incríveis poços formados no meio das pedras.Para chegar no Vale dos Tucanos é preciso navegar por uma estreita faixa do lago que adentra os imensos paredões de pedra. Dentro desse cenário mágico, a parada para um mergulho é algo inevitável.
Complexos turísticos
Outros atrativos muito interessantes são aqueles em que os passeios duram o dia inteiro. É o caso da Trilha do Sol, um complexo dono de ótima infraestrutura em torno de duas cachoeiras: a do Grito e a do Poço Dourado. Para chegar a elas, o local conta com monitores treinados e trilhas muito bem sinalizadas, condições que facilitam o acesso aos vários poços para banhos próximos às quedas d’água. Há um mirante que proporciona linda vista, um restaurante, muitas redes para relaxar e banheiros.

Trecho da trilha dentro do Mirante dos Canyons.
De fácil acesso inclusive para carros de passeio, o complexo do Paraíso Perdido também tem uma infraestrutura de qualidade e anuncia 18 atrativos entre cachoeiras e piscinas naturais. Os destaques são a Cachoeira da Árvore e os poços da Prainha, do Mirante e a grande piscina natural formada pelas águas vindas da cachoeira. Para chegar a esses locais, é preciso desbravar uma trilha — são cerca de duas horas de caminhada — que tem passagens sobre as pedras do rio (na verdade, é o Ribeirão Quebra-Anzol) e por alguns trechos íngremes. Porém, é muito bem sinalizada e equipada com cordas de segurança e ainda conta com a presença dos monitores.

A ponte pênsil de 100 metros no Parque Pauá.
Vizinho ao Paraíso Perdido, o Complexo Cachoeiras Pé de Serra usufrui das mesmas cachoeiras, mas o sentido da trilha é descendo o Quebra-Anzol. O restaurante serve uma boa comida caseira e há oferta de hospedagem em suítes e ainda áreas de camping. O acesso tem um trecho de estrada de terra que por ser feito por carros de passeio.
Mais acima no mesmo ribeirão, já na divisa com o município de São João Batista do Glória, está o Retiro Viking que oferece trilhas bem demarcadas e sinalizadas para cinco cachoeiras. Percorre-se no máximo 1,5 km para conhecer todas elas. Destaque para a bela Cachoeira do Trovão com cerca de 20 metros de caudalosa queda d´água e um grande poço um tanto bravio pela força com que cai a água. A chegada é pelo topo da cachoeira e por isso o visual torna-se arrebatador. Antes, é preciso passar no mirante, localizado próximo à sede do complexo, em torno de 500 metros de distância, para admirar a paisagem repleta de formações rochosas no Cerrado.

Uma das várias cachoeiras que existem em Capitólio. Foto André Sena.
Depois do mirante, surge a Cachoeira do Patinho Feio, cujas corredeiras formam poços entre as pedras. A Cachoeira Caixinha de Surpresas também forma pequenas piscinas naturais entre o terreno rochoso. Já a atração seguinte é a Cachoeira Pequena Sereia, dona de um bonito poço e identificada por uma estátua de sereia. A Última parada da trilha, a Cachoeira do Quelé deságua sobre as rochas em forma de algumas pequenas cascatas que caem na grande piscina natural.
Ecoturismo
Um outro atrativo é o empreendimento turístico chamado de Complexo da Capirava, instalado em um belo cenário onde se destacam as cachoeiras da Capivara e da Pedra Ancorada. A fartura de águas límpidas forma 40 piscinas naturais de diferentes formatos, inclusive algumas delas lembram os tradicionais ofurôs, banheiras feitas em madeira, típicas da cultura de origem japonesa.

Lanchas ancoradas: uma cena comum no lago.
O Complexo da Capivara informa que a infraestrutura local “foi pensada para proporcionar o máximo de conforto e conveniência. As instalações como banheiros bem cuidados, o estacionamento é amplo e seguro, e o restaurante oferece uma deliciosa variedade de pratos da culinária mineira”.
“Aventura e tranquilidade se encontram no Complexo da Capivara”, garante o empreendimento, que completa: “explore trilhas guiadas por profissionais experientes, descubra recantos escondidos e mergulhe em uma jornada de conexão com a natureza. Percorra uma trilha de trekking e descubra a riqueza da flora e fauna locais”. Para os mais aventureiros, o Complexo da Capivara também oferece “emocionantes atividades, como passeios de quadriciclo e UTV, canionismo e stand-up paddle”.

Os complexos turísticos das cachoeiras também podem ser acessados pelas lanchas. Foto Ísis Medeiros – Secult-MG/Divulgação.
O Complexo Canela de Ema garante uma completa estrutura a poucos metros da água, “acesso fácil para qualquer veículo e o legítimo sabor da cozinha mineira”. Para chegar lá, viaja-se pela estrada asfaltada até a entrada do complexo. Depois, pega-se a estrada, de terra e cascalho, de apenas 3,5 km de extensão, que permite a chegada de qualquer tipo de veículo. A cachoeira No Limite fica a 60 metros distância da sede onde está o estacionamento e o restaurante, famoso por oferecer a tradicional carne de lata.
As outras duas trilhas se dividem entre a Trilha Verde e a Trilha Alta. A primeira, segundo informa o Canela de Ema, “oferece uma caminhada de 450 metros por dentro das águas cristalinas, com nível de água na altura do joelho, ideal para fotos e contemplação”. O passeio dura em média quatro horas e é ideal para famílias e aventureiros que buscam contato direto com a água”.

Um dos bares flutuantes e a cachoeira que deságua no lago. Foto André Sena.
Já a Trilha Alta, “uma exclusividade”, prevê cinco horas de “experiência completa” junto à natureza. “É o roteiro através de um circuito que visita quatro cachoeiras exclusivas (incluindo a Sebastiana). Oferecemos um contato profundo com a preservação do Cerrado e dos cânions, sempre com o suporte de nossa equipe de guias”. Para acessar a Cachoeira Sebastiana exige-se, como esclarece o Canela de Ema, “planejamento técnico e físico, combinando caminhada por vegetação nativa, deslocamento por leitos de rios (aquatrekking) e técnicas de canionismo”. O complexo destaca que é referência em ecoturismo acessível, pois “é pioneiro com a Cadeira Juliette, que permite levar visitantes com mobilidade reduzida até o poço da cachoeira”.
Mais cachoeiras e passeios de barcos
O impressionante manancial de águas gera ainda mais cachoeiras. A Cachoeira Dicadinha tem fácil acesso e a boa estrutura (conta com estacionamento) faz com que o lugar receba grupos de famílias. São várias quedas em uma área de muito verde. A última queda da cachoeira, que cai no lago de Furnas, também pode ser acessada por chalana ou lancha. A Cachoeira Fecho da Serra é a de maior volume de água do município, com uma queda de 30 metros. O poço é propício para o banho e o caminho até a cachoeira é um espetáculo à parte: paredões de mais de 100 metros de altura e diversas nascentes. A Cachoeira do Lobo fica localizada no Ribeirão da Vargem, município de Guapé, mas o aceso mais fácil se dá por Capitólio. A queda é volumosa, envolta por mata de galeria. O acesso se dá pela Pousada Cachoeira do Lobo.

Mais uma vista do belo Cânion de Furnas.
Outro local para ser explorado é o Morro do Chapéu, um dos pontos mais altos do município, a 1.923 metros. De lá, é possível avistar o Lago de Furnas e as cidades de Capitólio, Guapé, Alpinópolis e Nova Barra. No alto do morro há uma capelinha que abriga a imagem de Nossa Senhora dos Desamparados. Pelo caminho e no topo, o turista encontra vegetação rasteira, com varias espécies de flores silvestres, e nascentes de água límpida correndo em pedras e lajeados.
Os passeios pelo Lago de Furnas de barco, lancha, chalana, catamarã e até de iate fazem Capitólio ser um destino conhecido no Brasil e no exterior.As opções mais comuns são os passeios de lanchas e de chalanas. Os passeios de lancha duram entre três e sete horas, com saídas do bairro de Escarpas do Lago e da ponte do Rio do Turvo (Km 306 da MG-050). Já os passeios de chalanas, barcos bem maiores, duram três horas e são ideais para grupos de muitas pessoas. São mais calmos e também mais econômicos.Os passeios geralmente levam aos seguintes locais: Cânions de Furnas, Cachoeira Lagoa Azul, Vale dos Tucanos, Cascatinha e Cachoeirinha da Ilha e aos bares flutuantes, pontos de apoio com música, petiscos e banho de rio.

Escarpas do Lago é um bairro de Capitólio que reúne residências sofisticadas.
Escarpas do Lago
É comum acharem que o sofisticado balneário Escarpas do Lago é um condomínio fechado, mas o local é um bairro de Capitólio chamado oficialmente de bairro Engenheiro José Mendes Júnior. Fundado no final da década de 1970 pelo empresário Marcos Valle Mendes, então dirigente da empreiteira mineira Mendes Júnior, o balneário possui cerca de 1.200 residências de veraneio de alto padrão. Escarpas do Lago conta com a maior marina de água doce da América Latina, cujo Centro Náutico possui píeres flutuantes com capacidade de atracação para aproximadamente 700 embarcações, enquanto o Complexo de Garagens tem 349 vagas disponíveis para barcos.

Mais um bar flutuante no Lago de Furnas. Foto Tamas Badolay-Secult-MG/Divulgação.
O Centro Náutico é propriedade do Clube Campestre Escarpas do Lago, fundado no ano de 1983. É constituído por uma ampla infraestrutura de lazer: quadras de tênis (saibro e cimento), quadras para beach tennis, academia completa, saunas, piscinas, parque de águas para crianças, playground e restaurante. A estrutura se completa com a sede, os salões para eventos e heliponto. Os proprietários das residências têm a opção de se associarem ao Clube Campestre.

O Lago de Furnas forma forma aproximadamente 3.700 km de margens.
No centro da cidade, com 10.300 habitantes (IBGE 2022), vale a pena conhecer a singela Igreja Matriz de São Sebastiao, fundada em 1947. A igreja tem uma arquitetura em estilo contemporâneo. O interior é simples, mas muito aconchegante, possui doze colunas, representando os apóstolos, além de quadros e pinturas sobre a vida de Jesus Cristo.
