Com atuação do Sebrae Minas, por meio do Programa Check-in Turismo, pequenos negócios se fortalecem por meio da conexão de histórias, da valorização cultural e do afroturismo.
Em Minas Gerais, o turismo se reinventa ao se aproximar de territórios onde a história permanece viva na memória, nos costumes e nos modos de fazer de suas comunidades. O Quilombo de Paracatu, no Noroeste do estado, e o Quilombo do Açude, na região da Serra do Cipó, são exemplos de como o resgate cultural e o fortalecimento da identidade se transformam em geração de oportunidades, com o apoio do Sebrae Minas.
Os saberes ancestrais transmitidos por gerações passadas são a riqueza das culturas e transformam todo o legado em experiências turísticas para os visitantes, interessados em desbravar as tradições quilombolas, receitas gastronômicas e o afroturismo. Os projetos foram desenvolvidos por meio do Check-in Turismo, programa do Sebrae Minas que busca estruturar produtos turísticos em todo o estado, por meio do mapeamento de atrativos e da oferta, além de qualificação profissional e dos pequenos negócios.

Romário Moreira da Silva: projeto de turismo para preservar as tradições e gerar oportunidades de trabalho e renda. Foto Dante Bragaça/Divulgação.
Localizado a 5 km do centro histórico de Paracatu, o Quilombo São Domingos é um território de história, fé e resistência. O surgimento do quilombo está associado ao Ciclo do Ouro, nos primeiros anos do século 18. Escravizados de origem africana, que acompanhavam os bandeirantes, permaneceram no povoado, construindo suas vidas e tradições.
A partir de 2009, o local começou a despertar para a possibilidade de se tornar destino turístico, ano em que o quilombo passou a receber pessoas interessadas em conhecer a Fábrica de Biscoitos “Ouro da Roça” e a Casa Museu – dedicadas à preservação das memórias e à geração de trabalho para os moradores.
Filho de pais quilombolas e nascido no São Domingos, Romário Moreira da Silva explica que o desejo de preservar as tradições e gerar oportunidades de trabalho e renda para a comunidade, sobretudo para os mais jovens, fez com que um grupo de pessoas elaborasse um projeto turístico para o quilombo. “Trabalhar pelo desenvolvimento da comunidade, por meio do turismo, é uma missão importante. Considero minha vocação. Com esse projeto, temos oportunidade de expandir a cadeia produtiva do turismo na cidade e espalhando a nossa cultura e tudo o que temos de melhor para o mundo inteiro”, explica um dos anfitriões do roteiro de experiências.

Detalhe da Casa Museu do Quilombo São Domigos. Foto Dante Bragança/Divulgação.
O catálogo apresenta o itinerário com experiências diversas: Aromas e sabores quilombolas; Bolo Zumbi – Sabor da resistência; Engenho das tradições – Rapadura e história; Mãos que trançam histórias; Máscaras da caretagem – Mãos na massa com tradição; Ouro da Terra – Açafrão de São Domingos; Passos do Quilombo no Morro do Pineco; Quintal das memórias de Mida; Sabor de Minas no Quilombo; e Sabores ancestrais – Almoço no quilombo.
Segundo a presidente da Associação Quilombola do São Domingos e coordenadora da Fábrica de Biscoitos, Irene dos Reis de Oliveira, a comunidade está preparada para receber os visitantes que queiram aliar história, cultura de diversidade aos amantes do afroturismo, estudiosos e pesquisadores. “É um prazer enorme acolher as pessoas que desejam conhecer a nossa comunidade e apresentar todas as ações e tradições que temos aqui”, frisa.
Experiências Turísticas – Quilombo São Domingos
Versão digital do catálogo:


Quilombo do Açude: comunidade de 40 famílias e formatação de novos produtos turísticos. Foto Divulgação.
Natureza e simplicidade
Na Serra do Cipó, o Quilombo do Açude apresenta outra expressão dessa mesma força. Localizada em uma das regiões turísticas mais conhecidas de Minas Gerais, a cerca de 100km de Belo Horizonte, o local reúne patrimônio natural e cultural, mas dá holofotes para outros atores que antes não tinham espaço. O artesanato, as técnicas de produção, os conhecimentos sobre plantas, a relação com o ambiente e outras práticas preservadas pelos moradores ajudam a revelar uma identidade nova, que complementa os atrativos muito procurados por quem passa pela região que se encantam pelas belezas naturais. Este conjunto resultou na formatação de novos produtos turísticos que compõem o catálogo “Gente Daqui”, e integra as Rotas do Cipó, com experiências que valorizam a simplicidade, as raízes, a religiosidade e a gastronomia local. Na comunidade, vivem cerca de 40 famílias, em um total de 300 habitantes.
“O interesse turístico pelo nosso território vem crescendo gradualmente. O turismo se tornou uma forma de valorizar nossa cultura, compartilhar nossos saberes e acolher as pessoas em nosso território, além de gerar renda para todos nós. Percebemos, cada vez mais, a busca por experiências que aproximam os visitantes do nosso modo de vida”, afirma Florisbela Santos, líder comunitária, brigadista e anfitriã da experiência ‘Ancestralidade e resistência’ no Quilombo do Açude, que oferece almoço com cardápio típico, oficina de percussão e samba de senzala.

A busca por experiências aproximam os visitantes do modo de vida dos quilombolas. Foto Divulgação.
Jussara de Oliveira é outra empreendedora local que aposta no desenvolvimento do turismo de base comunitária. Em novembro do ano passado, ela criou o Bistrô Oicos, restaurante que desenvolve pratos com ingredientes do Cerrado, como arroz vermelho, talharim com pesto de pequi, galinha caipira com castanha. Bióloga de formação, seu objetivo é vincular o território à preservação ambiental. “Desde que tivemos a ideia de criar o negócio, procuramos desenvolver ações para preservar o bioma do Cerrado. Além de valorizar nossos insumos nas receitas, precisamos ter consciência de fazer iniciativas para manter a área verde intacta e trazer nossa identidade. Temos na Serra do Cipó um ambiente rural e nossa grande motivação é conectar nossos turistas à proposta de valorizar a cultura local, saborear nossos pratos e fazer a relação com a pegada de sustentabilidade”.
Gente Daqui – Quilombo do Açude
Versão digital do catálogo:
